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Cuba analisa mudanças econômicas e sociais diante do bloqueio dos EUA
Diante do aumento da pressão econômica que os Estados Unidos (EUA) impõe há décadas, o governo de Cuba discute uma série de mudanças para dinamizar a economia local e modificar seu modelo econômico e social vigente.
As propostas contemplam ajustes em políticas fiscais, cambiais, comerciais e de subsídios, além de uma reorganização do Estado cubano, com descentralização política e maior abertura econômica. Essa transformação visa garantir justiça social e reduzir desigualdades no país.
O Birô Político do Partido Comunista de Cuba marcou uma reunião extraordinária para debater as propostas apresentadas pelo presidente Miguel Díaz-Canel, cuja aprovação depende ainda do aval da Assembleia Nacional.
Inspirando-se em exemplos como o da China e do Vietnã, que mesclam socialismo e mercado, Díaz-Canel explicou que o intuito é resolver antigos conflitos entre a economia planejada centralmente e os incentivos necessários para estimular a produção.
O presidente destacou a importância de definir o que deve ser estritamente planejado pelo governo central e liberar o restante para ser gerido localmente, promovendo autonomia nos níveis municipais e empresariais, mas sempre com foco na justiça social.
O programa de reforma inclui mais de 20 medidas focadas em atrair investimento estrangeiro, dar maior autonomia às empresas estatais, descentralizar decisões e ampliar a participação acionária em empresas cubanas.
A reforma ainda prevê mudanças importantes nos setores de turismo e imobiliário, além de uma transição gradual para eliminar subsídios a produtos, direcionando-os diretamente às pessoas que mais necessitam.
Além disso, as mudanças concederão maior independência às entidades estaduais e municípios para que estes possam realizar importações, exportações e gerir investimentos sem precisar de autorização centralizada.
Na fala de Miguel Díaz-Canel, as empresas terão liberdade para definir salários, realizar parcerias, contratar e receber investimentos, promovendo um ambiente mais dinâmico e competitivo.
A proposta também traz a liberalização do mercado cambial, anteriormente controlado pelo Estado, permitindo que indivíduos e empresas possam participar diretamente.
Sobre a estrutura estatal, Díaz-Canel informou que haverá uma redução de ministérios e cargos públicos para diminuir a burocracia e otimizar recursos, possibilitando maior investimento em programas sociais e políticas salariais adequadas.
Na agricultura, o foco é aumentar a produção de alimentos e diminuir terras ociosas, ampliando o acesso dos produtores ao mercado de insumos e ao câmbio.
As medidas estendem-se ao comércio exterior, com a possibilidade de que certas entidades possam manter contas em bancos estrangeiros, facilitando operações internacionais.
Para as atividades não estatais, o governo pretende ampliar o leque de negócios permitidos, promovendo parcerias entre empresas públicas e privadas e assegurando um marco legal estável para investimentos.
O embargo econômico que Cuba enfrenta há quase sete décadas foi intensificado em 2025 pela administração norte-americana, especialmente com restrições que afetaram o suprimento de petróleo vindo da Venezuela. Em 2026, sanções ampliadas restringiram ainda mais a venda de petróleo para a ilha, acarretando períodos sem o abastecimento do recurso.
Novas sanções dos EUA impactaram setores fundamentais como turismo, mineração e petróleo, levando empresas estrangeiras a se retirarem do país, o que tem causado apagões frequentes, aumento dos preços de itens essenciais, queda no transporte público e redução da oferta de alimentos subsidiados pelo governo.
Para muitos habitantes de Havana, esta é considerada a fase mais difícil enfrentada por Cuba em anos recentes.


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