Economia
Dívida pública alcança 82,5% do PIB, maior nível desde 2021
O endividamento do governo continua crescendo. Em julho, a dívida bruta do setor público chegou a 82,5% do Produto Interno Bruto (PIB), totalizando R$ 10,9 trilhões, conforme dados do Banco Central divulgados nesta segunda-feira.
Em comparação a junho, houve um aumento de 0,6 ponto percentual, atingindo o maior percentual desde abril de 2021, quando, na época da pandemia de Covid-19, o endividamento público era de 82,6% do PIB.
O cálculo da dívida inclui o governo federal, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), assim como os governos estaduais e municipais. O crescimento mensal decorreu principalmente dos juros nominais registrados e das emissões líquidas de dívida.
Este indicador é crucial para investidores que avaliam a saúde fiscal do país.
O aumento da dívida reflete o déficit público e os encargos com juros para financiar esse déficit.
No terceiro mandato do presidente Lula, a dívida pública cresceu mais de 10 pontos percentuais, partindo de 71,7% do PIB ao final de 2022. Essa elevação recente leva o endividamento a níveis parecidos com os do auge da pandemia, quando a dívida chegou a 87,7% do PIB em dezembro de 2020.
Em julho, o setor público consolidado (governo federal, estados, municípios e estatais, exceto bancos e Petrobras) teve superávit primário de R$ 1,4 bilhão, uma melhora em relação ao déficit de R$ 66 bilhões registrado no mesmo mês de 2025.
O governo federal, por sua vez, apresentou superávit de R$ 11 bilhões, enquanto os governos estaduais e municipais somaram déficit de R$ 8,5 bilhões e as estatais, R$ 1,1 bilhão.
No acumulado de janeiro a julho deste ano, o déficit do setor público totaliza R$ 78,8 bilhões.
Déficit nominal
O Banco Central também acompanha o déficit nominal, que inclui os gastos do governo com juros da dívida pública. No acumulado em 12 meses até julho, esse déficit atingiu R$ 1,239 trilhão, equivalente a 9,34% do PIB, representando uma redução de 0,64 ponto percentual do PIB em relação ao mês anterior.
Piora no perfil da dívida
Além do valor alto, preocupa o perfil da dívida. O terceiro mandato do presidente Lula deve fechar com a maior emissão de títulos indexados à Taxa Selic em 20 anos. Até julho, já foram emitidos R$ 2,8 trilhões em títulos que acompanham a taxa básica de juros, correspondendo a 48,2% do total emitido no período (R$ 5,7 trilhões). Essa proporção supera todos os mandatos presidenciais anteriores desde o segundo mandato do Lula, início da série histórica do Tesouro Nacional.
Anteriormente, o maior percentual havia sido entre 2019 e 2022, governo de Jair Bolsonaro (PL), quando títulos atrelados à Selic representavam 34% do total emitido pelo Tesouro.
Segundo nota do Tesouro, as emissões refletem o perfil de vencimentos da dívida vigente e o contexto econômico-financeiro do momento.
A maior exposição a títulos indexados à Selic eleva o risco da dívida brasileira, pois seus custos dependem das variações da taxa básica de juros definida pelo Banco Central. Recentemente, houve um forte aumento da Selic, que cresceu 4,5 pontos percentuais em nove meses (de setembro de 2024 a junho de 2025) e permaneceu nesse nível por mais nove meses (até março de 2026). Isso impacta significativamente o resultado nominal da dívida e, por consequência, o endividamento total.
As Letras Financeiras do Tesouro (LFTs), títulos vinculados à Selic, são considerados uma aplicação segura pelos investidores, pois apresentam menos risco do que os títulos prefixados (com remuneração fixa na compra) ou vinculados à inflação (ajustados pelo IPCA com taxa fixa), que podem perder valor quando as taxas de juros sobem. Nesse caso, o risco é transferido ao Tesouro.
Para cada aumento de 1 ponto percentual na Taxa Selic, o Banco Central calcula um acréscimo de R$ 60,6 bilhões ou 0,46% do PIB na dívida bruta do governo, indicando uma sensível elevação do endividamento público em resposta à alta dos juros.

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