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Efeitos do El Niño ao redor do mundo nesta semana
Escolas fechadas na Amazônia brasileira, incêndios excepcionais na Indonésia, preocupação com a falta de alimentos em várias regiões: os efeitos do poderoso fenômeno climático El Niño continuam ao redor do mundo.
Este fenômeno, que aquece as águas do Pacífico, intensifica as secas e causa inundações e outros eventos meteorológicos extremos, com impactos significativos para as populações.
Florestas em chamas na Indonésia e na Amazônia
Manaus, a maior cidade da Amazônia brasileira, suspendeu as aulas das escolas públicas na sexta-feira (9) devido à má qualidade do ar causada pela fumaça de centenas de incêndios na floresta tropical.
O Amazonas registrou 3.726 incêndios em setembro, número mais de quatro vezes superior ao do mesmo mês de 2025.
Na Indonésia, cuja temporada de incêndios é agravada pelo El Niño, florestas e plantações queimam há meses nas ilhas de Bornéu e Sumatra. A fumaça, levada pelo vento, cobre toda a região com uma densa névoa.
A Malásia fechou escolas em algumas regiões, inclusive na capital Kuala Lumpur, enquanto Singapura diminuiu os custos de atendimento médico para doenças respiratórias causadas pela fumaça.
Milhares de pessoas adoeceram devido aos incêndios e ambientalistas tentam resgatar dezenas de orangotangos que estão presos na fumaça e nas chamas.
Cortes de energia em Mianmar
As autoridades de Mianmar alertaram a população sobre possíveis cortes de energia, explicando que a rede está sobrecarregada por uma onda de calor atípica para esta época do ano, atribuída ao El Niño, que eleva o consumo de eletricidade.
Os serviços meteorológicos locais também avisaram sobre chuvas e tempestades incomuns, secas causadas pelo calor intenso e escassez de água potável.
Nas Filipinas, a ministra de Energia, Sharon Garin, declarou que o governo se prepara para maior demanda de energia e possível redução da produção hidrelétrica devido às condições mais secas e quentes.
FMI expressa preocupação com segurança alimentar
O Fundo Monetário Internacional está especialmente preocupado com os impactos do El Niño na segurança alimentar mundial. A diretora-geral do FMI, Kristalina Georgieva, afirmou que o organismo está se preparando para apoiar os países mais vulneráveis.
O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) alertou para uma combinação perigosa de custos financeiros mais altos, aumento dos preços da energia e o El Niño, criando uma tempestade perfeita que pode empurrar dezenas ou até centenas de milhões de pessoas para a pobreza.
O que dizem os cientistas
O El Niño deve se intensificar até atingir seu auge em dezembro, segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM) da ONU.
Em setembro, as temperaturas da superfície do mar no Pacífico alcançaram níveis recordes, conforme o Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus da União Europeia, e a agência meteorológica japonesa classificou este fenômeno como o de maior intensidade já observado.
Embora as escalas utilizadas pelos meteorologistas para medir o El Niño variem, a influência das mudanças climáticas torna a avaliação ainda mais complexa.
Números da semana
- 29,7 ºC: temperatura recorde na superfície do mar no Pacífico.
- 1: quantidade de furacões na atual temporada do Atlântico, notavelmente fraca por conta do El Niño.
- 71: número de mortos nas enchentes na Tailândia desde setembro.
- 46: orangotangos resgatados dos incêndios na Indonésia entre agosto e 9 de outubro.
Entendendo o ‘Super El Niño’
O El Niño aumenta a temperatura global e um ciclo mais intenso eleva a ocorrência de eventos climáticos extremos, como secas severas e fortes chuvas, em várias regiões.
Este ano, o fenômeno foi denominado ‘super El Niño’ ou ‘muito forte’ por muitos cientistas, por causa da anomalia excepcionalmente alta na temperatura da superfície do mar no Pacífico.
As mudanças climáticas complicam a análise, pois já elevaram a temperatura dos oceanos, mas os cientistas conseguem distinguir esse efeito para avaliar o real aumento causado pelo El Niño.

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