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Economia

Entenda o acordo de petróleo entre EUA e Venezuela

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Na última sexta-feira, foi anunciado um acordo entre os Estados Unidos e a Venezuela que transfere para Washington o controle de cerca de 20% das reservas petrolíferas venezuelanas, um movimento que levanta dúvidas devido à falta de detalhes claros sobre sua execução.

Presidente Donald Trump declarou que os Estados Unidos agora controlam a maior parte dos mais de 65 bilhões de barris das reservas comprovadas de petróleo na Venezuela, que são as maiores do mundo. Esse controle ampliaria significativamente a capacidade produtiva americana, que já possui 46 bilhões de barris em seu território conforme dados recentes da Agência de Informação sobre Energia (EIA).

Apesar de especialistas serem céticos quanto a um aumento rápido na produção, Trump indicou que essa expansão poderia acontecer em um período de aproximadamente dois anos. A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, detalhou que o acordo terá validade de 25 anos, abrangendo 17 campos petrolíferos e prometendo investimentos superiores a 100 bilhões de dólares, além de um pagamento de cerca de 19 dólares por barril extraído.

Trump ressaltou o objetivo de usar parte desse petróleo para reabastecer as reservas estratégicas dos Estados Unidos, que estão em seu nível mais baixo em quatro décadas.

O pacto, no entanto, tem sido alvo de críticas dentro da Venezuela, especialmente fora do governo e seus aliados. Rafael Ramírez, ex-ministro e ex-dirigente da estatal petrolífera PDVSA, classificou o acordo como uma forma de “neocolonialismo americano”, argumentando que é uma decisão tomada sem o consentimento do país, e que seria inconstitucional por entregar controle do território e dos recursos a uma potência estrangeira.

Em resposta, Delcy Rodríguez reafirmou que a Venezuela mantém a propriedade e soberania sobre seus recursos naturais, embora se tenha divulgado que os EUA ficariam com 55% da produção da nova empresa conjunta criada.

Outro ponto inusitado do acordo é o envolvimento do Pentágono, que apoiaria a operação por meio do pouco conhecido Escritório de Capital Estratégico, um órgão de investimentos internacionais. Trump afirmou que o acordo não deverá gerar custos para os contribuintes americanos, mas não detalhou como será o modelo financeiro adotado.

Francesco Sassi, especialista em geopolítica energética, ressaltou o caráter inédito da participação do governo americano, considerando que os EUA não possuem uma companhia estatal petrolífera.

Além disso, a empresa venezuelana que administraria parte do projeto poderia estar ligada a Alejandro Betancourt, empresário controverso e presidente da petrolífera Nabep, que já enfrentou investigações por suspeita de lavagem de dinheiro.

O secretário de Estado americano, Marco Rubio, qualificou o acordo como uma “grande vitória” para ajudar a reduzir os altos preços dos combustíveis nos EUA, embora especialistas considerem que o efeito nos preços ao consumidor possa demorar para aparecer.

Quanto às empresas petrolíferas americanas, elas ainda não comentaram o acordo, mas é esperado um encontro entre representantes do setor e o presidente Trump para discutir preços dos combustíveis.

Desde o início do ano, Trump tem buscado estimular a exploração dos recursos energéticos venezuelanos sob sua administração, mas enfrenta resistência das empresas, exceto a Chevron, devido aos altos custos para recuperar a infraestrutura e às políticas anteriores de expropriação no país latino-americano.

Atualmente, a produção diária de petróleo da Venezuela está em torno de 1,2 milhão de barris, o que representa um aumento de 30% em relação a janeiro, porém ainda está distante dos 3 milhões de barris diários produzidos há 25 anos.

O futuro do acordo é incerto, especialmente após o governo Trump, e essa incerteza reduz o interesse dos produtores, de acordo com o analista Andy Lipow, da Lipow Oil Associates.

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