Economia
Ferrari Luce: primeiro elétrico esgota vendas rápido na China
A Ferrari entrou no mercado de carros totalmente elétricos com algumas dúvidas e críticas, além de uma queda nas ações da empresa.
No entanto, as vendas surpreenderam. O Ferrari Luce, primeiro modelo elétrico da marca italiana, atingiu a meta de vendas prevista para 2026 em apenas dois meses, impulsionado pela forte demanda na China.
O veículo, com preço inicial de 550 mil euros (aproximadamente R$ 3,2 milhões), foi desenvolvido para atrair novos consumidores, especialmente empresários no setor de tecnologia em mercados onde a eletrificação está consolidada.
Desempenho esportivo
Embora seja elétrico, o Luce mantém o espírito esportivo típico da Ferrari. Equipado com três motores elétricos (um na dianteira e dois na traseira), oferece mais de 1.000 cavalos de potência combinada. O modelo inclui tração integral e vetorização de torque nas quatro rodas para alta performance.
A Ferrari informa que o carro acelera de 0 a 100 km/h em cerca de 2,5 segundos, alcançando velocidade máxima superior a 320 km/h. Com arquitetura elétrica de 800 volts, permite recargas muito rápidas de até 350 kW. A bateria de 122 kWh oferece autonomia estimada em 600 km conforme o ciclo WLTP.
Internamente, o Ferrari Luce alia tecnologia com tradição. O painel integra três mostradores analógico-digitais combinados com telas OLED feitas pela Samsung Display, reforçando a inovação no primeiro modelo 100% elétrico da marca.
Lançamento com polêmica
Apresentado em maio, o Luce causou uma reação incomum para a Ferrari. O design, criado por Jony Ive, ex-chefe de design da Apple, dividiu opiniões entre fãs e usuários nas redes sociais.
O visual foi comparado a carros bem mais acessíveis e recebeu críticas por se distanciar da identidade tradicional da Ferrari.
O projeto inclui inspiração no universo Apple e tecnologias desenvolvidas em parceria com a Nasa.
Após o lançamento, as ações da Ferrari caíram mais de 8%, refletindo a apreensão dos investidores quanto à entrada da marca no segmento elétrico.
Críticas internas
Críticas também vieram de dentro da própria Ferrari. Luca Cordero di Montezemolo, ex-presidente da montadora, declarou que o Luce não reflete a essência da marca e sugeriu que o carro não usasse o tradicional emblema do Cavallino Rampante.
Apesar disso, a Ferrari manteve sua estratégia. Concessionárias receberam orientação para não incentivar os clientes tradicionais e colecionadores a trocarem seus esportivos a combustão pelo modelo elétrico.
O objetivo é posicionar o Luce para um público específico, sem prejudicar os amantes dos motores V8 e V12 da Ferrari.
Alta demanda na China
A maior parcela das vendas veio da China, onde carros elétricos de luxo já são muito aceitos.
Empresários do setor tecnológico do Vale do Silício, nos EUA, também estão entre os principais compradores.
Segundo o analista independente Scott Sherwood, ouvido pelo Financial Times, a Ferrari acertou ao direcionar o Luce para um nicho diferente do tradicional comprador de superesportivos.
Produção limitada
Mesmo com alta procura, a Ferrari não pretende produzir o Luce em grande escala. A meta é vender cerca de 2.500 unidades até 2030, o que equivale a aproximadamente 600 carros por ano, representando cerca de 5% das vendas anuais da marca.
De acordo com o CEO Benedetto Vigna, essa produção controlada ajuda a manter as altas margens de lucro da Ferrari, mesmo com a transição para a eletrificação.
Agora, a expectativa está na primeira unidade produzida do Luce, que será leiloada na Monterey Car Week, na Califórnia. A casa de leilões Sotheby’s estima que essa unidade especial possa atingir mais de US$ 1,1 milhão (por volta de R$ 5 milhões) no leilão.

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