Centro-Oeste
Fim da escala 6×1 avança e gera debate no DF
Após aprovação na Câmara dos Deputados, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala 6×1 está agora em análise no Senado Federal. Especialistas em direito trabalhista comentam o impacto dessa mudança no mercado de trabalho do Distrito Federal. Trabalhadores foram consultados sobre a nova jornada, enquanto entidades empresariais manifestam preocupações econômicas.
A proposta prevê jornada semanal de 40 horas, distribuídas em cinco dias de trabalho e dois de descanso. O modelo atual de 44 horas com um dia de descanso (6×1) seria substituído. A redução de horas será sem diminuição salarial, com um período para adaptação gradual.
Em nota, a Confederação Nacional do Comércio (CNC) alerta que o novo limite uniforme pode afetar negativamente empregos, pequenos negócios e produtividade em setores que dependem de mão de obra intensa. A CNC destaca que a atual Constituição equilibra proteção ao trabalhador e competitividade econômica, e que mudanças diretas trarão custos e reorganizações para empresas.
A entidade defende que a legislação atual já permite negociação de jornadas reduzidas pela negociação entre empregadores e trabalhadores, considerando a alteração constitucional um risco para a economia. A CNC espera que parlamentares considerem essas ponderações nos debates no Senado.
Opinião do Setor Produtivo
Empresários locais demonstram preocupação com os efeitos da medida. Daniel Benquerer Costa, diretor estratégico e revendedor de combustíveis, afirma que a mudança implica reestruturação interna, mas não necessariamente aumento de contratações. Ele destaca que trabalhadores poderão sair mais cedo aos sábados para atender ao limite de 40 horas, mas o processo foi acelerado sem análise técnica suficiente.
Rafaela Santana, empresária e mestre em trabalho e raça, vê a proposta como necessária, destacando que a jornada 6×1 remete a uma lógica antiga pós-abolicionista e prejudica o desenvolvimento pessoal dos trabalhadores. Ela acredita que a mudança pode aumentar a eficiência, e cita experiências positivas de escalas 5×2 em outras empresas.
Anita de Medeiros, dona de sorveteria, relata estar testando o novo regime para minimizar impactos e valoriza o investimento na qualidade de vida dos funcionários, acreditando que trará ganhos de produtividade e adaptação positiva à rotina local.
Saúde e Produtividade
A advogada trabalhista Aline Rosado Ohlweiler da Silveira destaca que a aprovação trará melhor qualidade de vida, com redução do estresse, ansiedade e riscos de acidentes, além de favorecer a saúde mental dos trabalhadores. Ela cita que setores como alimentação, saúde, indústria farmacêutica e comércio serão os mais impactados pela organização das novas jornadas.
Impacto na Vida dos Trabalhadores
No Distrito Federal, trabalhadores demonstram esperança na mudança. A jovem aprendiz Mariana Vitória, 19 anos, acredita que terá melhor qualidade de vida com mais tempo para lazer e família, já que o atual descanso é insuficiente.
Fernanda Gabriela de Souza Rocha, assistente jurídica, também apoia, valorizando o tempo extra para estudos e atividades pessoais, além de mais momentos em família.
O vendedor Lourimar Lacerda de Souza considera que o descanso adicional será benéfico para aliviar o cansaço acumulado com a jornada 6×1, principalmente para quem enfrenta longos deslocamentos diários no transporte público.


Você precisa estar logado para postar um comentário Login