Brasil
Fintech ligada ao PCC movimentou R$ 1 bi em dinheiro vivo
O Grupo de Atuação e Combate ao Crime Organizado (Gaeco), ligado ao Ministério Público de São Paulo, junto com a Receita Federal, deflagrou a Operação Fluxo Oculto, que é a segunda fase da Operação Carbono Oculto. Esta ação teve como alvo seis fintechs suspeitas de funcionar como bancos paralelos para uma organização criminosa ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC), atuando no mercado de combustíveis. Segundo a Receita Federal, entre 2022 e 2025, essas fintechs movimentaram mais de R$ 26 bilhões e estariam envolvidas em esquemas de lavagem de dinheiro, evasão fiscal, proteção patrimonial e ocultação de recursos ilícitos.
Uma dessas fintechs despertou a atenção do Gaeco e da Receita por operar cerca de R$ 1 bilhão em dinheiro vivo no período de 2022 a 2024, de acordo com a investigação. As seis instituições financeiras investigadas são consideradas essenciais na estrutura financeira do esquema, mantendo irregularidades mesmo após a primeira fase da operação em agosto de 2025, considerada a maior ofensiva contra lavagem de dinheiro do PCC no setor de combustíveis.
Estratégia de Ocultação
Informações da Receita revelam que essas fintechs utilizaram uma ‘dupla camada de ocultação’ para movimentar os recursos. Conforme o Gaeco, o dinheiro proveniente dessas operações foi canalizado para quatro fundos de investimento que acumularam cerca de R$ 205 milhões em ativos. Neste núcleo, foram identificadas duas administradoras e duas gestoras, também investigadas na operação.
O Ministério Público relatou que os fundos cresceram mais de 200% em pouco mais de um ano, formando um núcleo financeiro robusto para movimentações internas da facção entre distribuidoras, postos de combustíveis e transações financeiras entre empresas e fundos.
A Receita informou que, até 2025, as instituições de pagamento não eram obrigadas a apresentar a declaração e-Financeira, documento utilizado para registrar movimentações dos clientes, o que limitava o acompanhamento dessas operações.
Na Operação Fluxo Oculto, três das seis fintechs apresentaram a declaração e-Financeira, reportando cerca de R$ 8 bilhões em movimentações em 2025, enquanto as outras três foram autuadas por não apresentarem essa declaração.
Prisão e Mandados
Ao todo, a ação cumpriu 59 mandados de busca e apreensão contra pessoas físicas e jurídicas em cinco estados. Em São Paulo, as operações ocorreram na capital e em Arujá, Atibaia, Barueri, Santos e São José do Rio Preto. As ações também ocorreram em Cascavel e Paranavaí, no Paraná; Iguatemi, no Mato Grosso do Sul; Belo Horizonte, em Minas Gerais; e no Rio de Janeiro.
Grandes alvos incluem empresas dos grupos Ceopag, Sispay, Smart Solutions, Yaw e Ello Gestora de Recursos. O grupo Yaw foi o único a se manifestar, negando qualquer ligação com organizações criminosas.
Segundo o Ministério Público, essas empresas facilitavam compensações financeiras entre distribuidoras e postos de combustíveis, movimentações entre empresas e fundos controlados pela organização criminosa, além de pagamentos a colaboradores e despesas pessoais dos principais operadores do esquema.
A investigação também revelou que o esquema usava familiares, pessoas vulneráveis e presos para criar empresas em vários estados, ocultando os reais responsáveis pelas operações. Além disso, a Receita identificou transações de pelo menos R$ 365 milhões em criptoativos ligados a empresas suspeitas de lavagem de dinheiro para outras organizações criminosas investigadas em operações anteriores.


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