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Flávio Bolsonaro alerta que taxa alta aos EUA daria força política a Lula
O senador e pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) alertou ao governo dos Estados Unidos que a proposta de sobretaxa sobre produtos brasileiros concederia ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) exatamente a vantagem política que busca.
Essa opinião está detalhada em um documento de 86 páginas entregue ao Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), órgão que está examinando a questão comercial envolvendo o Brasil. No texto, Flávio Bolsonaro solicita que a sobretaxa seja suspensa, argumentando que a medida teria o efeito oposto ao desejado pelos EUA.
Segundo o senador, essas tarifas poderiam fortalecer politicamente Lula em vez de exercer pressão sobre seu governo. Ele conclui que a implementação dessa medida proporcionaria uma vitória política ao presidente brasileiro, prejudicando igualmente a economia dos EUA e os brasileiros que apoiam relações estreitas entre Brasília e Washington.
“Em outras palavras, as tarifas planejadas dariam ao atual governo brasileiro exatamente a vitória política que ele procura, enquanto prejudicariam a economia americana e os próprios brasileiros que defendem uma relação mutuamente benéfica com os Estados Unidos”, afirmou Flávio Bolsonaro.
No documento, o senador aponta que o governo Lula transformou o confronto comercial com os EUA em uma vantagem política interna, e que a imposição de novas tarifas apenas reforçaria essa estratégia. Ele cita pesquisas eleitorais e comenta que a rodada anterior de tarifas, durante o governo Donald Trump, fortaleceu eleitoralmente Lula, em vez de pressioná-lo.
Ele explicou que a pressão tarifária aumentou a popularidade do governo justamente nos momentos em que essa pressão foi mais intensa nos Estados Unidos.
Flávio Bolsonaro argumenta que a proposta americana beneficiaria politicamente o Palácio do Planalto, que deveria ser punido, enquanto a medida recairia sobre exportadores brasileiros, importadores e consumidores nos EUA, assim como brasileiros que desejam uma relação mais próxima entre os países.
Ele destaca que o alvo das críticas americanas são o governo Lula e o Supremo Tribunal Federal (STF), especialmente em decisões relacionadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Contudo, a sobretaxa de 25% atingiria exportadores, importadores americanos, consumidores dos EUA e brasileiros contrários às ações questionadas.
Flávio Bolsonaro solicita que o governo americano suspenda imediatamente a aplicação das tarifas e abra negociações bilaterais sobre as seis questões em investigação pelo USTR: comércio digital e serviços de pagamento eletrônico, incluindo o Pix; tarifas preferenciais; combate à corrupção; propriedade intelectual; acesso ao mercado de etanol; e desmatamento ilegal.
A proposta é postergar a aplicação das tarifas enquanto os dois países discutem uma solução, mantendo aberto o processo para possível adoção das medidas caso não haja acordo.
Ele também sugere que, se os EUA considerarem que houve violações por parte do Brasil, devem adotar medidas direcionadas, como restrições de visto e sanções individuais, em vez de aplicar sobretaxas sobre produtos brasileiros. Tais medidas atingiriam diretamente os responsáveis pelas condutas questionadas, sem causar prejuízo à economia americana ou aos brasileiros favoráveis a uma aproximação bilateral.
Flávio Bolsonaro planeja viajar a Washington para participar, na próxima segunda-feira, de audiência pública promovida pelo USTR, etapa precedendo a decisão sobre as tarifas. Ele solicitou cinco minutos para discursar como representante do Senado e pré-candidato à Presidência da República.
No pedido de inscrição, afirmou que já discutiu o tema com o presidente Donald Trump e o secretário de Estado americano, Marco Rubio, e que defenderá uma solução negociada para as questões levantadas na investigação. Também pretende defender o Pix, alvo de críticas do governo americano por suposta concorrência desleal.
O prazo para decisão dos EUA sobre a implementação das tarifas termina em 15 de julho, cerca de uma semana após a audiência pública. A investigação do USTR questiona políticas brasileiras relacionadas a comércio digital, Pix, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol, combate à corrupção e questões ambientais.

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