Brasil
Flávio busca investidores para financiar filme sobre Bolsonaro
O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), declarou em entrevista à Globonews que sua função foi procurar investidores para financiar o filme biográfico sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, intitulado Dark Horse, um projeto cultural com recursos exclusivamente privados.
“Minha função foi captar investidores para viabilizar um filme privado, financiado por recursos privados, em homenagem ao presidente Jair”, explicou Flávio. “Como filho, busco parceiros que possam investir neste projeto cultural, esperando retorno financeiro conforme o lucro do empreendimento.”
O senador afirmou que os recursos destinados ao fundo foram encaminhados ao advogado de Eduardo Bolsonaro (Paulo Calixto), considerado de confiança da família e encarregado do processo de green card do ex-deputado federal nos Estados Unidos. Segundo ele, o profissional é experiente e a estrutura foi criada para atender exigências legais e burocráticas, objetivando a realização do filme.
“Qualquer investimento privado aplicado nesse fundo foi integralmente destinado à produção do filme”, acrescentou Flávio. “Se houve algum pagamento ao escritório de advocacia — do qual não tenho detalhes — o advogado é gestor do fundo e pessoa de confiança de Eduardo Bolsonaro, responsável por esse procedimento.”
Ele ressaltou que o fundo está sob a supervisão da Securities and Exchange Commission (SEC), reguladora do mercado financeiro dos Estados Unidos, equivalente à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) do Brasil. A instituição presta contas regularmente à autoridade americana, e quaisquer irregularidades resultariam em notificações formais aos gestores.
Cláusula de confidencialidade
Durante a entrevista, Flávio Bolsonaro explicou que, anteriormente, negou contato com o banqueiro Daniel Vorcaro devido a uma cláusula de confidencialidade prevista no contrato de investimento do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.
“Minha única ligação com o senhor Daniel Vorcaro é referente a este filme”, esclareceu Flávio. Ele afirmou não ter oferecido contrapartidas e que o aporte foi exclusivamente um investimento privado em produção audiovisual. “Isso expõe os investidores.”
Flávio disse ter sido apresentado a Vorcaro pelo empresário Thiago Miranda para tratar do financiamento, destacando que, na época, o banqueiro era uma figura influente em Brasília, frequentando ambientes do Judiciário e círculos respeitados, sem informações públicas que causassem suspeita sobre sua atuação.
Segundo o senador, Vorcaro foi um dos mais de dez investidores do projeto, todos formalizados por contratos que previam retorno financeiro. Após a assinatura, os pagamentos ocorreram conforme combinado, mas posteriormente as parcelas pararam de ser pagas, o que levou a cobranças por parte de Flávio.
“Conversamos, acertou a participação no filme, tudo formalizado. As parcelas foram pagas dentro do contrato, até que ele parou de pagar e eu insisti nas cobranças”, relatou.
O senador rejeitou acusações de pedidos de favores ou extorsão em busca dos pagamentos, classificando tais alegações como levianas. Também negou relação pessoal com Vorcaro e explicou que expressões como “irmão” em mensagens são gírias comuns no Rio de Janeiro, sem indicar intimidade.
Flávio defendeu a criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para apurar o caso do Banco Master, afirmando que é essencial distinguir culpados e inocentes. Ele também refutou tentativas de vinculá-lo a contatos impróprios entre integrantes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o banqueiro.

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