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Governo Lula busca reunião e propõe corte de tarifas para evitar imposto dos EUA
A menos de dez dias para o prazo final em que os Estados Unidos podem decidir sobre a imposição de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, a administração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva aposta numa nova conversa com o representante comercial americano, Jamieson Greer, e na oferta de redução de impostos para setores onde os EUA têm forte presença, para evitar o aumento tarifário.
Apesar das tentativas do governo em mostrar empenho para impedir essas medidas, alguns setores demonstram ceticismo quanto ao êxito da estratégia. A percepção é que, devido às eleições de outubro, a administração do presidente Donald Trump não deseja conceder um ganho político a Lula. A equipe do governo acredita que os americanos podem estar inclinados a apoiar a campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Na semana passada, Flávio Bolsonaro encaminhou um documento ao Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), solicitando o adiamento da aplicação da tarifa.
O governo nacional acredita que, caso as tarifas não sejam aplicadas, o pré-candidato do PL irá tentar atribuir a si o mérito dessa vitória, alegando ter atuado junto ao governo americano. Os assessores de Lula afirmam que irão batalhar para controlar essa narrativa.
Para reduzir a influência de questões políticas na negociação, o governo brasileiro preparou um conjunto de medidas para os EUA, abordando os seis pontos identificados no encerramento da investigação feita com base na Seção 301 da Lei de Comércio americana. Essas ações, chamadas internamente de “mapa do caminho”, envolvem comércio digital, tarifas preferenciais, combate à corrupção, proteção da propriedade intelectual, produção de etanol e combate ao desmatamento ilegal.
A principal proposta do governo é cortar as tarifas de importação de produtos em áreas dominadas pelos EUA, como equipamentos médicos e tecnologia da informação.
Este tema será discutido em uma nova reunião virtual entre o ministro da Indústria e Comércio, Marcio Elias Rosa, e Jamieson Greer, que deve ocorrer nos próximos dias. A última conversa entre eles foi realizada na quinta-feira anterior.
O “mapa do caminho” apresenta várias propostas, porém não inclui o Pix, mencionado na conclusão da investigação do USTR. O governo brasileiro entende que não há espaço para discutir meios eletrônicos de pagamento. A investigação americana argumenta que o Brasil favorece o Pix de maneira injusta, prejudicando as empresas americanas do setor de pagamentos eletrônicos.
Na próxima semana, o órgão de comércio dos EUA realizará uma audiência para ouvir argumentos sobre a imposição de tarifas aos produtos brasileiros. O governo brasileiro optou por não participar, entendendo que essa representação deve ser feita pelo setor privado. Já Flávio Bolsonaro registrou sua participação e deve reforçar, conforme já expresso em carta, o pedido para que a decisão sobre o aumento das tarifas seja postergada para após as eleições.
Empresários e entidades brasileiras irão defender que a taxação não só prejudicaria negócios no Brasil, como também aumentaria custos para empresas e consumidores americanos, além de reduzir investimentos e empregos no país.
O USTR finalizou a investigação comercial contra o Brasil e recomendou tarifas de 25% sobre produtos brasileiros em 2 de junho, menos de um mês após a visita de Lula à Casa Branca e ao presidente Trump. Além disso, há a proposta de um adicional de 12,5% devido à suposta ausência de esforço do Brasil contra o trabalho forçado, o que poderia elevar o total das tarifas para 37,5%.

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