Brasil
Ibovespa cai pelo quinto dia consecutivo e fecha em 188,6 mil pontos
Em um dia marcado pela leitura desfavorável do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), que é uma prévia da inflação oficial de abril, o Ibovespa acumulou a quinta queda seguida, recuando para a casa dos 188 mil pontos. O fechamento ocorreu ainda no menor patamar desde 7 de abril, quando o índice marcou 188.258,91 pontos. Durante o dia, o índice da B3 variou entre 187.236,79 e 189.578,50 pontos, correspondente à abertura da sessão. Ao final, encerrou em 188.618,69 pontos, com uma retração de 0,51%, e um volume financeiro de R$ 23,9 bilhões.
Na semana, o Ibovespa registrou uma perda de 1,11%, limitando o avanço do mês para 0,62%. No acumulado do ano, há alta de 17,06%.
Algumas ações de grandes empresas, como Petrobras (ON +0,72%, PN +0,32%) e Itaú (PN +0,25%), conseguiram evitar a queda. Também se destacaram as ações da Gerdau (PN +4,16%) e Metalúrgica Gerdau (+4,55%), impulsionadas por resultados trimestrais bem recebidos pelos investidores, assim como Cosan (+3,60%), beneficiada pela notícia sobre a oferta pública inicial (IPO) da subsidiária Compass, vista como uma oportunidade para entrada de recursos na controladora, cujas ações estavam desvalorizadas devido ao alto endividamento.
Dessa forma, Cosan e as duas empresas Gerdau lideraram as maiores valorizações do Ibovespa na sessão, enquanto o lado oposto ficou com Hapvida (-8,44%), Assaí (-5,74%) e Cyrela (PN -3,57%, ON -3,43%). Entre os grandes bancos, Santander fechou em baixa de 0,84%, enquanto Banco do Brasil ON subiu 0,13%. A principal ação do Ibovespa, Vale ON, caiu 1,30%, antes da divulgação do balanço do primeiro trimestre de 2026, que ocorreu à noite. Nos Estados Unidos, os principais índices também fecharam em baixa: Dow Jones caiu 0,05%, S&P 500 caiu 0,49% e Nasdaq caiu 0,90%.
Marcos Praça, diretor de análise da ZERO Markets Brasil, comenta que “o investidor estrangeiro continua dominando o fluxo, mas em ritmo menor comparado ao início do ano.” Ele acrescenta que “o investidor institucional local mantém uma saída estrutural rumo à renda fixa, beneficiado pela taxa Selic ainda elevada.”
Praça observa também que, no mercado de ações, o investidor pessoa física está levemente comprador, porém, em nível inferior ao de ciclos anteriores, e que os fundos de ações estão sofrendo resgates em abril. Portanto, o rali do Ibovespa depende do capital estrangeiro, sendo a desaceleração do fluxo externo o principal risco para a continuidade da alta.
Bruno Perri, economista-chefe, estrategista e sócio-fundador da Forum Investimentos, resume que “o Ibovespa acompanhou o desempenho dos mercados globais, que continuam sofrendo com o prolongamento do conflito entre Estados Unidos e Irã, sem sinal de acordo, o que pressiona os preços do petróleo, que ultrapassaram novamente US$ 100 por barril.”
Perri acrescenta que no cenário nacional, o cenário negativo é agravado pelo impacto do conflito sobre a economia, refletido no IPCA-15 de abril, que sofreu forte influência de alimentos e combustíveis.
Ele aponta que essa combinação de fatores aperta o orçamento das famílias, aumenta a insatisfação com o governo e, consequentemente, eleva a possibilidade de medidas fiscais expansionistas.

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