Conecte Conosco

Economia

Ibovespa fecha em alta, mas acumula perdas no mês e na semana

Publicado

em

Na última quinta-feira (30), impulsionado por um cenário externo favorável, o Ibovespa encerrou uma sequência negativa que perdurava desde a última máxima histórica alcançada em 14 de abril. Durante as 10 sessões seguintes, o índice teve apenas um pequeno avanço de 0,20% no dia 20, além de seis quedas consecutivas.

Enquanto a primeira quinzena do mês renovou recordes históricos no fechamento (198,6 mil pontos) e no intradia (aproximadamente 199,3 mil pontos), ambas em 14 de abril, a segunda quinzena foi marcada por uma realização de lucros. Ao final do mês, o índice da B3 ficou praticamente no mesmo nível do fechamento de março, com uma leve tendência negativa.

Após a pausa em março, quando houve queda de 0,70%, a Bolsa brasileira segue em descida suave, rompendo a série positiva que prevaleceu entre agosto de 2025 e fevereiro de 2026, período de sete meses de valorização. Em abril, a variação foi quase nula, com -0,08%, passando de 187.461,84 pontos no fechamento de 31 de março para 187.317,64 pontos na última sessão do mês seguinte.

Esse cenário de estabilidade em abril foi garantido pela alta de 1,39% no pregão final, no qual o Ibovespa saiu de 184.758,66 pontos na abertura e alcançou o pico do dia em 187.920,77 pontos. Na semana, houve retração de 1,80%, sucedendo baixas de 2,55% e 0,81% nas semanas anteriores, o que suaviza o avanço anual para 16,26%. O volume financeiro foi robusto, atingindo R$ 28,8 bilhões, especialmente antes do feriado nacional na sexta-feira.

Além das incertezas geopolíticas, ocasionadas pela persistente obstrução do fluxo de petróleo no Estreito de Ormuz, os investidores têm voltado sua atenção para outros elementos, como os resultados do primeiro trimestre de 2026, ainda em divulgação no Brasil e nos Estados Unidos, e os primeiros impactos da agenda pré-eleitoral, que indicam enfraquecimento do governo para as eleições de outubro.

Na quarta-feira à noite, após o fechamento do mercado, o Copom manteve um tom rígido na política de juros, mas o governo sofreu uma derrota inesperada com a rejeição no Senado da indicação do ministro da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal, fato não registrado desde o século 19.

Na quinta-feira, outra derrota ocorreu no Congresso, com a derrubada do veto presidencial ao projeto que reduz penas para os condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023 na Praça dos Três Poderes, beneficiando o ex-presidente Jair Bolsonaro. Essas duas reveses em dois dias refletem um ambiente político conturbado, com crescente apoio a candidaturas oposicionistas nas pesquisas recentes.

Segundo Stephan Kautz, economista-chefe da EQI Investimentos, o fluxo de capital estrangeiro continua decisivo para o desempenho do Ibovespa. Ele afirma que, apesar da atenção política, o principal motor da Bolsa é a percepção de que o Brasil é um beneficiário relativo da crise energética decorrente do conflito no Oriente Médio, sendo um exportador líquido de petróleo, o que favorece tanto o balanço de pagamentos quanto as contas públicas.

Ele acrescenta que o Brasil mantém sua atratividade para investidores estrangeiros, embora parte dos recursos internacionais possa estar migrando da renda variável para a renda fixa. O câmbio ainda indica ingresso de capital, com o dólar fechando com queda de 0,98%, cotado a R$ 4,9527.

No âmbito geopolítico, a situação no Estreito de Ormuz permanece bloqueada e o preço do petróleo Brent se mantém acima de US$ 100. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chegou a sugerir uma retomada de ações militares contra o Irã, ampliando o clima de aversão ao risco, segundo a analista de renda variável da Rico, Bruna Sene. Apesar de algum alívio no final da semana, o cenário continua frágil e sem solução imediata.

Na B3, a alta das ações da Petrobras, que subiram 0,48% na ON e 0,25% na PN, não foi suficiente para garantir um resultado positivo no mês para o Ibovespa, mas foram importantes para equilibrar o índice, que sofreu correções em outras principais ações. A Vale ON subiu 2,19%, embora tenha registrado perdas semanais e mensais significativas.

Entre os bancos, o último dia do mês foi favorável, com destaque para o BB ON, que aumentou 2,30%. No mês, Bradesco ON e PN acumularam ganhos relevantes. As maiores elevações do Ibovespa na quinta-feira foram de Hapvida, CPFL e Axia, enquanto Suzano, Hypera, Klabin e Iguatemi apresentaram as maiores quedas.

Os profissionais do mercado financeiro brasileiro permanecem pessimistas quanto ao desempenho do Ibovespa na próxima semana, com 44,44% esperando queda, 33,33% projetando alta, e 22,22% prevendo estabilidade, conforme o Termômetro Broadcast Bolsa.

Clique aqui para comentar

Você precisa estar logado para postar um comentário Login

Deixe um Comentário

Copyright © 2024 - Todos os Direitos Reservados