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Ibovespa recua 8,31% no segundo trimestre com cautela dos investidores estrangeiros e fiscais

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A bolsa brasileira, semelhante ao comportamento observado na segunda-feira, novamente não conseguiu acompanhar a alta dos mercados nos Estados Unidos. O Ibovespa reduziu a queda durante a tarde, recuperando-se para o patamar de 172 mil pontos, impulsionado pela queda nos juros futuros, após os dados do Caged de maio indicarem uma desaceleração no mercado de trabalho.

No entanto, a falta de entrada de capital estrangeiro e a preocupação com a situação fiscal impediram uma recuperação mais vigorosa, resultando em uma baixa de 0,68% nesta terça-feira, 30, e uma queda de 0,73% no mês de junho — marcando o quarto mês consecutivo de retração —, o que reduziu os ganhos acumulados no primeiro semestre para 6,76%.

Após atingir uma máxima de 173.204,72 pontos com variação estável, o Ibovespa chegou a cair para 170.538,48 pontos pela manhã, uma queda de 1,54%. Ao final do pregão, com um volume financeiro de R$ 21,92 bilhões, o índice fechou em 172.024,12 pontos, sem suporte de ações da Petrobras, Vale e dos grandes bancos. No trimestre, a perda foi de 8,31%.

Felipe Cima, especialista em renda variável da Manchester Investimentos, destaca que “a questão que mais pesa na bolsa parece ser o fluxo estrangeiro. Há uma dificuldade em criar uma narrativa positiva para os ativos brasileiros, enquanto os investidores estrangeiros permanecem aguardando um momento melhor”.

Em junho, até a última sexta-feira (26), os investidores estrangeiros retiraram R$ 8,754 bilhões. Apesar disso, no acumulado do ano, o saldo do capital externo permanece positivo em R$ 32,879 bilhões.

Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, observa que, sem a volta dos recursos externos e diante das incertezas sobre a continuidade dos cortes na Selic, o Ibovespa enfrenta dificuldades para sustentar altas consistentes, mesmo em um cenário internacional mais favorável.

Para Cima, o índice da B3 também reflete o agravamento das questões fiscais, que devem colocar as eleições em destaque. “Há uma cautela crescente em relação ao futuro próximo”, comenta.

Nesta terça-feira, o Banco Central informou que o setor público consolidado (governo central, estados, municípios e estatais, exceto Petrobras e Eletrobras) registrou déficit primário de R$ 56,131 bilhões em maio, após um superávit de R$ 24,624 bilhões em abril. O resultado ficou pior do que a média das projeções, estimada em déficit de R$ 53,9 bilhões, segundo o sistema Projeções Broadcast, e a XP destaca que esse déficit, aliado ao aumento dos juros, elevou a dívida pública ao maior patamar desde 2021.

Quanto à política de juros, a criação líquida de 72.960 vagas em maio — abaixo da mediana projetada de 120 mil — reforçou a expectativa de manutenção do ciclo de ajustes na taxa Selic, conforme o economista sênior do Inter, André Valério.

O Banco Inter divulgou antecipadamente seu relatório mensal de junho, indicando que a taxa básica de juros deve chegar a 13,25% ao ano em dezembro, com cortes de 0,25 ponto percentual nas próximas quatro reuniões, apoiados pelo preço do petróleo em torno de US$ 70 por barril, dólar abaixo de R$ 5,20 e efeito limitado do El Niño na inflação de alimentos.

Em relação à inflação, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou a distribuição de R$ 872,1 milhões como “Bônus de Itaipu”, que será destinado aos consumidores elegíveis em agosto de 2026.

Como contraponto, a Aneel também aprovou um aumento médio de 10,18% na conta de luz para consumidores da Enel São Paulo, válido a partir de sábado, 4 de julho. Esse reajuste deve elevar o índice nacional de preços ao consumidor amplo (IPCA) deste ano em cerca de 0,05 ponto percentual, conforme análise da Warren Investimentos.

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