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Lula enfrenta desafios com avanço da direita perto das eleições
Luiz Inácio Lula da Silva caminhava com confiança rumo às eleições presidenciais de outubro, impulsionado por uma economia forte e um sentimento nacionalista antiamericano. Contudo, escândalos financeiros e o aumento do descontentamento popular com o custo de vida reduziram sua liderança.
A menos de cinco meses do pleito, as pesquisas indicam que Lula, de 80 anos e ex-líder sindical de esquerda, está empatado com seu principal adversário, Flávio Bolsonaro.
O senador, de 44 anos, concorre à presidência se apresentando como uma versão mais moderada do pai, o ex-presidente de extrema direita Jair Bolsonaro (2019-2022), condenado no ano anterior a 27 anos de prisão por tentar impedir a posse de Lula.
Uma pesquisa do Instituto Datafolha de abril mostra Flávio Bolsonaro ultrapassando Lula nas projeções para o segundo turno, com 46% contra 45%, apesar do empate técnico. Em dezembro, Lula tinha uma vantagem de 15 pontos.
“É um sinal de alerta”, admite à AFP Jilmar Tatto, vice-presidente do Partido dos Trabalhadores, fundado por Lula em 1980.
Críticas a Trump
Diante da situação, a esquerda responde. Embora proibido de fazer campanha aberta até agosto, Lula destaca suas reformas em saúde e educação, além de acelerar medidas para mitigar os impactos econômicos da guerra no Oriente Médio.
Recentemente, ele criticou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
“Não podemos permitir que o mundo ceda ao comportamento de um líder que acredita que pode taxar produtos, punir países e fazer guerras via e-mail ou Twitter”, declarou recentemente na Alemanha.
Após Trump impor um ataque comercial contra o Brasil em defesa de Jair Bolsonaro para 2025, Lula se posicionou como defensor da “soberania” nacional.
Isso trouxe pequenas melhorias nas pesquisas. As relações com Washington se estabilizaram, mas sofreram tensões recentes.
O impacto do custo de vida
Apesar de mostrar vigor físico nas redes sociais, com vídeos de exercícios, Lula enfrenta desafios reais.
A economia cresce e o desemprego está em níveis baixos, mas os eleitores, especialmente os jovens, manifestam insatisfação com o cotidiano.
“O mercado está muito caro, roupas também. Isso afeta muito porque você não vive, apenas sobrevive”, afirma Yohana Freitas Barbosa, assistente administrativa de 27 anos, em Brasília.
Mariano Machado, da consultoria Verisk Maplecroft, alerta que “qualquer divergência entre a situação econômica geral e a experiência diária dos eleitores quanto ao custo de vida influenciará o voto, e Lula está ciente disso”.
Recentes medidas para aliviar o endividamento das famílias e conter a alta dos combustíveis, causada pela guerra, foram desenhadas para equilibrar essas preocupações, destaca o especialista.
A queda nas intenções de voto gera pela primeira vez especulações sobre um possível afastamento de Lula da disputa, algo rejeitado pelo governo, que aposta em avanços sociais e pressiona no Congresso por redução da jornada de trabalho.
“Vamos definir a agenda do país e vencer a eleição”, assegura Jilmar Tatto.
Escândalos
Escândalos recentes também prejudicam a popularidade do presidente.
Investigações apontam que um dos filhos de Lula pode ter se beneficiado de fraudes no sistema previdenciário. Além disso, os laços do banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, com políticos e juízes geram surpresa.
Embora não haja envolvimento direto de Lula nas investigações, o desgaste da corrupção afeta quem está no poder, lamenta Edinho Silva, presidente do PT.
O presidente carrega ainda a lembrança dos escândalos dos seus governos (2003-2010) e de sua prisão por 580 dias entre 2018 e 2019 na operação Lava Jato, cujas condenações foram posteriormente anuladas.
Isso não apagou completamente, para parte do eleitorado, a impressão de que o PT é um partido mais corrupto em comparação a outros, afirma à AFP o analista Creomar de Souza, da Fundação Dom Cabral.

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