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Mais de 1400 mortos por terremotos na Venezuela e milhões afetados
Dois fortes terremotos atingiram a Venezuela, causando mais de 1.400 mortes, milhares de desaparecidos e impactando milhões de pessoas.
La Guaira, estado costeiro próximo a Caracas, foi o local mais afetado pelos tremores de magnitude 7,2 e 7,5, que ocorreram com poucos segundos de diferença na quarta-feira às 18h04, no horário local.
Um socorrista salvadorenho presente em La Guaira comentou à AFP que, embora depois de três dias as chances de encontrar pessoas vivas sejam pequenas, ainda é possível encontrar vítimas com sinais vitais.
Um menino de 11 anos foi salvo com vida dos escombros na noite de sábado no norte do país.
Delcy Rodríguez, presidente interina, afirmou no X que a cada vida encontrada há esperança para o povo venezuelano, compartilhando um vídeo do resgate.
La Guaira ficou parecida com uma zona de guerra, com prédios desabados e muitos destroços no lugar.
Os esforços de resgate estão em andamento, apesar do descontentamento da população local com a resposta lenta e limitada das autoridades para encontrar sobreviventes.
Marlon Ochoa, sobrevivente do colapso de um edifício em La Guaira, está procurando por sua mãe, esposa e filho que continuam desaparecidos.
Ele expressa frustração pela falta de organização das autoridades, destacando a necessidade urgente de ajuda e recursos para encontrar pessoas vivas sob os escombros.
A ONU estima que quase sete milhões de pessoas sejam afetadas pelos terremotos, que podem gerar prejuízos econômicos de aproximadamente 6,7 bilhões de dólares, correspondente a 6% do PIB do país, conhecido pela sua produção petrolífera.
A Venezuela é uma região propensa a terremotos, ainda que não tenha registrado um grande evento sísmico desde 1997.
Resposta internacional e situação atual
O aeroporto internacional que serve Caracas foi parcialmente reaberto no sábado para voos de carga com ajuda dos Estados Unidos, após ter sido fechado devido aos danos causados pelos tremores.
Uma autoridade americana, falando sob condição de anonimato, informou que o navio militar anfíbio USS Fort Lauderdale está próximo à costa venezuelana para auxiliar nos resgates em La Guaira.
Os Estados Unidos comprometeram-se a fornecer 150 milhões de dólares em ajuda, além de enviar navios de guerra, aviões e helicópteros para apoio.
Equipes de busca e salvamento de 21 países também foram mobilizadas para auxiliar nas operações.
Craig Demeillon, bombeiro australiano de 43 anos, descreveu o cenário como “muito caótico”, com calor intenso e desorganização total, mas ainda existe esperança de encontrar sobreviventes.
Os dados oficiais indicam até o momento 1.430 mortos, 3.238 feridos e centenas de desaparecidos, números inferiores às estimativas da ONU que apontam mais de 50 mil desaparecidos.

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