Economia
Ministro da Fazenda quer diálogo com Pedro Malan e Arminio Fraga para tratar finanças
Em meio a críticas sobre o aumento acelerado da dívida pública e das finanças do país, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, está buscando uma reunião com dois grandes nomes da política econômica durante o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso: o ex-ministro da Fazenda Pedro Malan e o ex-presidente do Banco Central Arminio Fraga.
Fontes próximas a Durigan informam que o objetivo dessa conversa é ouvir as opiniões desses economistas sobre a gestão econômica no terceiro mandato do presidente Lula, que está concorrendo à reeleição.
Espera-se que esses encontros ocorram ainda em agosto, no Rio de Janeiro, embora ainda não tenham sido agendados devido a certa relutância de Malan e Fraga, conforme apontado por interlocutores.
A administração econômica desses dois economistas se baseou no controle rigoroso da inflação, na disciplina fiscal e na consolidação do Plano Real.
As reuniões de Durigan com economistas críticos à atual gestão econômica começaram recentemente em São Paulo, quando ele conversou com Marcos Lisboa, ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda durante o primeiro mandato do presidente Lula.
Segundo interlocutores, o ministro Durigan busca manter um diálogo equilibrado ouvindo economistas de diferentes tendências, incluindo aqueles alinhados à esquerda e ao Partido dos Trabalhadores (PT).
Na última quarta-feira, Durigan afirmou que as taxas de juros de longo prazo que o Tesouro Nacional paga para rolar a dívida pública são muito elevadas, algo que considera inaceitável e que necessita de solução urgente.
— O Tesouro Nacional, que tem maior capacidade para emitir títulos no país, está pagando juros muito altos, especialmente a longo prazo. Isso é algo que não pode continuar — declarou em um evento do setor da saúde.
Conforme divulgado pelo jornal O Globo, o aumento da taxa básica de juros, os prêmios cobrados pelos investidores devido a incertezas externas e fiscais, além de vários programas de crédito do governo, elevaram o custo efetivo da dívida pública aos níveis mais altos dos últimos dez anos, aumentando a pressão sobre as finanças públicas.
A taxa de juros implícita, cálculo feito pelo Banco Central para medir o custo total do endividamento do governo, atingiu 13,2% nos últimos 12 meses para a dívida bruta, o maior índice desde novembro de 2016.
Esse indicador considera a composição da dívida pública, que inclui títulos vinculados à Selic, prefixados, indexados à inflação, cambiais, entre outros compromissos do governo.
— Sempre digo que não podemos nos acomodar nem achar que o problema está resolvido, porque não está — alertou o ministro.
Segundo ele, ainda há um esforço final significativo a ser feito para garantir a sustentabilidade futura das contas públicas e dos juros.
— O papel do governo brasileiro é avançar com cautela, sem esperar soluções milagrosas, buscando estabilizar essa etapa final que impacta empresas, o Tesouro, o agronegócio e as famílias. Precisamos continuar atentos para resolver isso prontamente na próxima gestão.
No mesmo evento, Durigan declarou que o governo federal tentará aprovar no próximo período de votações intensas no Congresso Nacional a medida provisória que eliminou a chamada “taxa das blusinhas”, que cobrava 20% sobre compras internacionais.
O “esforço concentrado” é uma semana destinada a votações no Congresso, normalmente em períodos eleitorais, com a próxima prevista para a semana de 31 de agosto a 4 de setembro, ocorrendo presencialmente.
— O presidente Lula tratou do assunto recentemente. O governo está empenhado em mobilizar sua base no Congresso para formar a comissão mista e aprovar o texto durante esse esforço concentrado. Este será o foco principal do governo na próxima semana — concluiu.


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