Brasil
Pai de Henry vai revelar ao júri caso de outra criança que teria sido ferida por Jairinho
O pai de Henry Borel, Leniel Borel de Almeida Junior, declarou nesta segunda-feira que apresentará ao júri informações sobre um suposto episódio envolvendo outra criança que, segundo ele, não foi investigado ou divulgado anteriormente. Ele fez a afirmação antes da retomada do julgamento do ex-vereador Jairinho e da mãe do menino, Monique Medeiros, no 2º Tribunal do Júri da Capital, no Centro do Rio.
Sem revelar detalhes, Leniel disse ter esperado anos para abordar o assunto durante o julgamento e que essa informação fará parte do que será apresentado aos jurados.
— Vocês sabiam que existe outro caso que não veio à tona, que não foi investigado, em que Jairinho teria queimado uma menina e a mãe não falou? Esperei cinco anos para estar aqui. Segurei essa estratégia porque não podia falar antes — afirmou.
Leniel explicou que a acusação buscará mostrar ao júri fatos que compõem o perfil do ex-vereador e sua relação com crianças.
— Vamos mostrar a verdade a esse júri. Vamos mostrar quem são Jairinho e Monique — disse Leniel.
Em discurso marcado por emoção antes da sessão, ele considerou a retomada do julgamento um passo crucial para que haja responsabilização pela morte do filho.
— Acho que estamos no início do fim — comentou.
Leniel agradeceu o apoio recebido ao longo de cinco anos e expressou esperança na condenação dos acusados.
Ele reafirmou a tese da acusação de que ambos os réus são responsáveis pela morte da criança.
— Se três pessoas entraram vivas naquele apartamento — dois adultos e uma criança — e saíram dois adultos e uma criança falecida, o que aconteceu lá? — questionou.
Ele acrescentou que acredita que os réus nunca explicaram de forma clara o ocorrido na madrugada da morte de Henry.
— Jamais dizem o que aconteceu naquele apartamento. Se nenhum dos dois fala, ambos carregam a mesma culpa e crime — afirmou.
Leniel também criticou a demora para a realização do julgamento, questionando os cinco anos de espera para fazer justiça pela criança, atribuindo a lentidão aos recursos apresentados pelas defesas.
Sobre Jairinho, ex-vereador da Zona Oeste do Rio, ele iniciou sua carreira política em 2004, seguindo o legado eleitoral do pai, deputado Coronel Jairo, tendo sido o candidato mais votado do Partido Social Cristão (PSC). Formado em medicina pela Unigranrio, optou por seguir carreira política e foi líder do ex-prefeito Marcelo Crivella no legislativo.
Em depoimento na delegacia, após a morte de Henry, Jairinho afirmou que não realizou massagem cardíaca por falta de experiência prática, tendo feito o procedimento pela última vez em um boneco durante o curso.
Foi acusado de coação depois que um executivo da área da saúde relatou ter sido contatado por Jairinho para evitar que o corpo do menino fosse encaminhado ao Instituto Médico-Legal.
Monique Medeiros, mãe de Henry Borel, está presa preventivamente no Complexo Penitenciário de Gericinó, assim como Jairinho. Ela chegou a responder o processo em liberdade, mas foi presa novamente em 2023 após decisão do STF.
Monique e Leniel conheceram-se em 2011, casaram-se em 2012, mas se separaram em 2020. Em 2020, Monique conheceu Jairinho e passou a viver com ele e o filho no início de 2021.
Monique foi nomeada assessora do Tribunal de Contas do Município, recebendo salário maior do que quando foi diretora escolar. Após prisão, foi exonerada.
As investigações e o julgamento detalham os eventos entre 8 e 31 de março de 2021, inclusive depoimentos de vizinhos, médicos e testemunhas, indicando que Henry apresentava diversas lesões, com episódio tragicamente resultando em sua morte, atribuída a agressões e não a acidente.
Em janeiro deste ano, um laudo atualizado, com reconstrução 3D do caso, descartou hipótese de acidente e concluiu que a morte foi provocada por agressões físicas, apresentado pela Divisão de Evidências Digitais e Tecnologia com suporte técnico do Ministério Público. O laudo detalha um padrão de lesões externas e internas incompatível com queda acidental, reforçando a tese da acusação.

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