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Preços de iPhones antigos sobem até R$ 2 mil devido à IA
Apesar do lançamento de uma nova geração de iPhones, os valores dos modelos mais antigos disponíveis na loja da Apple não diminuíram como em anos anteriores. Na realidade, esses aparelhos tiveram aumentos de preços que chegaram a 14,8%.
Semelhante ao que ocorreu com o iPhone 18 Pro, que ficou até 18,9% mais caro que seu predecessor, os dispositivos sofrem o impacto do aumento da demanda por chips de memória e armazenamento, impulsionado pelo crescimento dos data centers dedicados à inteligência artificial (IA).
Esse aumento na procura gerou uma escassez de componentes, elevando os preços não só de smartphones, mas também de tablets, notebooks e outros dispositivos eletrônicos globalmente.
Entre os modelos antigos, o iPhone Air foi o que sofreu os reajustes mais significativos. Apresentado no ano passado como a principal novidade da Apple, sua versão com 1 TB teve um acréscimo de R$ 2.000, passando de R$ 13.499 para R$ 15.499, um salto de 14,8%.
As variantes de 256 GB e 512 GB aumentaram R$ 500, representando uma inflação de 4,8% e 4,2%, respectivamente. Este ano, a Apple não lançou uma nova geração do Air, que deverá ser apresentada no início de 2027.
O modelo padrão do iPhone, que também não ganhou sucessor e que deve ser lançado no primeiro semestre do próximo ano, também teve reajuste nos preços. As versões 256 GB e 512 GB do iPhone 17 ficaram R$ 300 mais caras, equivalendo a aumentos de 3,8% e 3,2%. O modelo de 256 GB passou de R$ 7.999 para R$ 8.299 e o de 512 GB de R$ 9.499 para R$ 9.799.
Embora o reajuste tenha sido pequeno, chama atenção pelo fato de que, no lançamento do iPhone 17 padrão, os modelos do iPhone 16 tiveram descontos de R$ 1.000.
Em 2024, até o iPhone 16 padrão, lançado este ano, registrou aumento de preço: o modelo de 128 GB, único ainda disponível, subiu R$ 200, passando para R$ 6.999.
O iPhone 17e, lançado em março, também viu acréscimos de R$ 200 em todos os seus modelos. Já as linhas iPhone 17 Pro e iPhone 16 Plus foram descontinuadas.
Os reajustes na nova geração eram previstos, já que em junho a Apple aumentou os preços de seus computadores e tablets, com altas de 6% a 29% nos Macs e até 36% nos iPads, apesar de não ter ajustado os valores dos smartphones na época. A empresa explicou que a indústria de eletrônicos enfrenta uma situação inédita, causada pela demanda intensa dos data centers de IA por componentes de memória e armazenamento.
O então CEO da Apple, Tim Cook, comparou a procura por chips a uma “enchente de 100 anos”, destacando o aumento extraordinário dos custos.
O banco J.P. Morgan estima que o fenômeno denominado “inflachip” provoque alta superior a 400% nos preços dos chips DRAM entre o início de 2024 e o final de 2026, com impacto inflacionário de cerca de 23% para a indústria e consumidores nos Estados Unidos durante esse período.
Os modelos com maiores capacidades de armazenamento, acima de 1 TB, são os que experimentam os reajustes mais expressivos. Além do iPhone Air de 1 TB, que subiu R$ 2.000, o iPhone Pro de 1 TB também teve aumento de R$ 2.000 neste ano, quando a Apple lançou também uma versão de 2 TB para o 18 Pro.
O iPhone 18 Pro Max de 2 TB teve elevação de R$ 3.500. No ano anterior, nenhum modelo Pro sofreu reajustes.
Para preservar a base de consumidores, a Apple optou por elevar os preços dos modelos mais caros, mantendo as margens dos modelos mais em conta.
A reportagem tentou contato com a Apple para esclarecer a nova política de preços, mas não obteve retorno.
Este ano, as maiores fabricantes de memória do mundo — Micron, SK Hynix e Samsung — ultrapassaram o valor de mercado de US$ 1 trilhão, impulsionadas pelo aumento das receitas, decorrentes da demanda de empresas como Meta, Google e Amazon.
Além disso, essas empresas firmaram contratos de longo prazo, alguns com duração de cinco anos ou mais, limitando a flexibilidade para aumentar a produção conforme a demanda do mercado consumidor.
Segundo a TrendForce, o investimento dos provedores de nuvem deve crescer 98% em 2026 e mais 50% em 2027, com chips do tipo DRAM e NAND representando 47% desses investimentos em 2026 e 68% em 2027.
A consultoria projeta também que os preços dos contratos de DRAM para servidores subirão cerca de 270% em 2026.
Assim, a inflação se espalha por toda a indústria. A Samsung, ao lançar sua linha de smartphones dobráveis, aumentou os preços em até 17,4% no Brasil, mas o impacto foi menor devido à produção local e acordos com operadoras e varejo.
No início do ano, fabricantes de computadores no Brasil relataram dificuldades em encontrar componentes, com alguns alertando para a possibilidade de escassez de notebooks no mercado.
Preços antes e depois do reajuste (9 de setembro):
- iPhone Air:
256 GB: de R$ 10.499 para R$ 10.999 (+R$ 500, +4,8%)
512 GB: de R$ 11.999 para R$ 12.499 (+R$ 500, +4,2%)
1 TB: de R$ 13.499 para R$ 15.499 (+R$ 2.000, +14,8%) - iPhone 17:
256 GB: de R$ 7.999 para R$ 8.299 (+R$ 300, +3,8%)
512 GB: de R$ 9.499 para R$ 9.799 (+R$ 300, +3,2%) - iPhone 17e:
256 GB: de R$ 5.799 para R$ 5.999 (+R$ 200, +3,4%)
512 GB: de R$ 7.299 para R$ 7.499 (+R$ 200, +2,7%) - iPhone 16:
128 GB: de R$ 6.799 para R$ 6.999 (+R$ 200, +2,9%)

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