Mundo
Projeto australiano quer permitir desligar algoritmos do TikTok, Instagram e Facebook
O Parlamento da Austrália está prestes a debater uma proposta que daria aos usuários a opção de decidir se desejam ou não ter conteúdos organizados por meio de algoritmos em redes sociais como TikTok, Instagram e Facebook. Essa iniciativa faz parte de um conjunto maior de ações para melhorar a segurança digital e proporcionar mais controle aos usuários sobre o que veem em suas plataformas sociais.
Conforme a proposta, tanto usuários novatos quanto os já cadastrados receberiam uma notificação para escolher o modo como preferem que seu feed padrão seja exibido. Uma das alternativas manteria as sugestões personalizadas, onde o sistema indicaria publicações consideradas relevantes para cada usuário. A outra possibilitaria desligar essas recomendações, fazendo com que o feed exibisse somente os conteúdos postados por amigos e criadores que o próprio usuário decidiu seguir.
Medida segue restrições contra menores de 16 anos
A proposta foi anunciada após as leis aprovadas na Austrália no ano anterior, que proibiram pessoas abaixo de 16 anos de manter perfis em redes sociais. No primeiro mês após essa norma, mais de 5 milhões de contas foram desativadas ou deletadas.
No entanto, quase um ano depois, evidências indicam que a legislação encontrou dificuldades para impedir que adolescentes mais jovens continuassem usando essas plataformas.
Anika Wells, ministra das Comunicações, comentou que as empresas de tecnologia passaram tempo demais testando novos produtos sem a devida regulamentação.
“Realizaram testes de produtos em tempo real e sem supervisão com os australianos”, afirmou.
Ela também destacou que a presença das redes sociais em nosso dia a dia trouxe consequências inesperadas.
“Essas plataformas e ferramentas se integraram em nossas vidas de formas que jamais imaginamos. Algumas positivas, mas outras com efeitos negativos graves. Estamos vendo uma resposta mundial contra as grandes empresas de tecnologia”.
Projeto inclui multas que podem ultrapassar 100 milhões de dólares australianos
As modificações sobre os algoritmos fazem parte de uma lei mais abrangente, em fase de elaboração, chamada “Dever Digital de Cuidado”. O objetivo é aprimorar a segurança digital e dar às pessoas mais autonomia sobre o conteúdo exibido online.
Anthony Albanese, primeiro-ministro, apresentou a iniciativa como forma de responder às mudanças trazidas pelo avanço das tecnologias digitais.
“O mundo está se transformando, e mais pessoas estão cada vez mais conectadas. As novas tecnologias impactam a vida das pessoas, de maneira benéfica e também com efeitos indesejados”, declarou.
As companhias de tecnologia poderão ser penalizadas com multas superiores a 100 milhões de dólares australianos caso não cumpram as normas propostas, valor que equivale a cerca de 367 milhões de reais.
Como os feeds foram alterados
Tama Leaver, professor especialista em estudos da internet na Universidade Curtin, explica que as redes sociais não operavam como hoje.
No passado, muitos serviços exibiam as publicações em ordem cronológica reversa, mostrando primeiro os posts mais recentes das contas escolhidas pelo usuário.
Com o tempo, esse formato foi substituído pelos chamados sistemas de recomendação. Esses sistemas utilizam algoritmos para escolher e apresentar conteúdos que mantêm o usuário engajado por mais tempo nas plataformas.
A proposta australiana permitirá que quem preferir um feed apenas com as contas que segue possa desativar essa lógica obrigatória dos algoritmos.

Você precisa estar logado para postar um comentário Login