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Protestos estudantis na França aumentam tensão entre Lecornu e Mélenchon antes da eleição
O primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, entrou em confronto com o líder da esquerda radical Jean-Luc Mélenchon devido às ações de estudantes do ensino médio que têm bloqueado aulas e tentado expandir nacionalmente um movimento ainda incipiente por mais investimentos.
A troca de mensagens nas redes sociais entre Lecornu e Mélenchon, um dos principais pré-candidatos à Presidência, mostrou o clima político cada vez mais tenso antes da importante eleição presidencial da próxima primavera e diante da crescente pressão sobre as finanças da França.
Políticos de diferentes espectros ideológicos buscam temas que chamem a atenção dos eleitores. As reivindicações dos estudantes sobre a má condição das escolas, a escassez de professores e a excessiva carga horária tornaram-se a mais nova bandeira de alguns pré-candidatos.
Lecornu, por sua parte, tenta conquistar apoio suficiente para aprovar o Orçamento de 2027 em um Parlamento dividido, onde o governo do presidente Emmanuel Macron enfrenta forte oposição. Muitos críticos rejeitam os cortes propostos, enquanto os custos elevados de energia e outras despesas pressionam o orçamento das famílias.
Mélenchon, 75 anos, líder veterano anticapitalista com discurso vigoroso, ficou em terceiro lugar na eleição presidencial de 2022 e em quarto em 2017 e 2012. O ex-senador almeja avançar além do primeiro turno em 18 de abril e se qualificar para o segundo turno em 2 de maio. O voto dos jovens pode ser decisivo para ele. Macron não pode concorrer a um terceiro mandato consecutivo, conforme a Constituição.
Mélenchon manifestou apoio aos estudantes nesta segunda-feira, 28, após Lecornu acusar membros de seu partido, a França Insubmissa, de estimular as manifestações dispersas.
Os protestos começaram em escolas da região de Paris na semana passada, resultaram em prisões e se espalharam para outras áreas. No sul, na região de Alpes-Maritimes, a polícia deteve nesta segunda-feira 10 estudantes sob acusações de atear fogo, lançar objetos e cometer atos violentos que feriram dois alunos, informou o governo local.
Mélenchon acusou o governo de Lecornu de reprimir os estudantes com “ferocidade” e com “um tom claramente racista”. “Não toquem em nossos jovens”, escreveu, pedindo aos apoiadores da França Insubmissa que ajudem onde for possível.
Lecornu rebateu chamando a acusação de racismo de “insulto”. “Os estudantes têm direito à segurança. Os funcionários têm direito à proteção. Os policiais têm direito ao respeito durante suas funções”, disse. “Condenar a violência e quem ataca alunos deveria ser menos difícil para você do que difamar quem os protege. Seria mais fácil que aumentar o conflito.”


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