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PSDB não terá candidato em São Paulo e avalia apoiar Tarcísio

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Um dia após o deputado Kim Kataguiri (Missão) desistir de concorrer ao governo de São Paulo, o pré-candidato Paulo Serra (PSDB) seguiu o mesmo caminho e anunciou que buscará uma vaga na Câmara dos Deputados.

Com a saída desses dois candidatos, que juntos somavam 10% das intenções de voto conforme a última pesquisa Genial/Quaest, a disputa pelo Palácio Bandeirantes se torna ainda mais concentrada entre o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o ex-ministro Fernando Haddad (PT). O PSDB tende a apoiar o atual governador.

Esta é a primeira vez na história que o PSDB não terá um candidato ao governo de São Paulo, um estado que foi base do partido e governado por ele por quase trinta anos.

Além disso, as desistências modificam o cenário eleitoral, que nos últimos dois pleitos contou com um terceiro nome que fragmentava os votos e levava a eleição ao segundo turno.

Na última pesquisa Quaest, realizada em abril, Tarcísio liderava com 38%, seguido por Haddad com 26%, enquanto Kim Kataguiri e Paulo Serra tinham 5% cada um.

Possível Aliança com Tarcísio

O presidente regional do PSDB, Paulo Serra, não confirmou oficialmente o apoio ao governador Tarcísio de Freitas, mas indicou o início de negociações e uma tendência para uma aliança, devido a afinidades políticas entre os projetos. Ele ressaltou que uma aliança com Haddad seria muito difícil por causa da rivalidade histórica entre PSDB e PT.

Paulo Serra lembrou que o PSDB tem uma federação com o Cidadania e que a decisão final caberá à executiva nacional.

Nas últimas semanas, houveram conversas entre ele e o presidente estadual do Republicanos, Roberto Carneiro. Aliados de Tarcísio afirmam que há grande interesse em formar essa aliança, mas a palavra final será dos líderes nacionais do PSDB e Cidadania.

Kim Kataguiri afirmou que o partido Missão ainda não decidiu se lançará um novo candidato ou adotará neutralidade, e que apoiar Tarcísio não está entre as prioridades por enquanto.

Cenário eleitoral e estratégias

Aliados de Tarcísio acreditam que é possível vencê-lo no primeiro turno, já que a dispersão dos votos da direita deve ser menor. Eles apontam que Tarcísio conta com o apoio das siglas PL, MDB, PSD, PP-União e PRD-Solidariedade, que estiveram com o ex-governador Rodrigo Garcia na eleição passada.

Do lado de Haddad, a expectativa é alcançar resultados semelhantes aos 45% obtidos no segundo turno anterior, mesmo que as pesquisas recentes indiquem números mais baixos. A estratégia inclui destacar problemas na segurança pública e apresentar propostas antecipadas para enfrentar essa questão.

Sem um terceiro candidato significativo para dividir os votos da direita, a disputa tende a ser mais direta, dificultando um segundo turno.

Haddad tem intensificado suas agendas no interior paulista e tentado fortalecer alianças com setores do agronegócio e empresários, enquanto o PSB e Rede-PSOL aguardam definições para completar suas chapas, o que tem atrasado suas pré-campanhas.

Em contraste, a direita já realizou eventos para lançar candidaturas ao Senado que apoiam Tarcísio e o pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL).

Declínio do PSDB em São Paulo

Fundado em 1988, o PSDB participou de todas eleições para o governo paulista desde 1990, quando Mário Covas ficou em terceiro lugar, e em 1994 foi eleito governador, iniciando uma sequência de quase 30 anos de governos tucanos em São Paulo, incluindo nomes como Geraldo Alckmin, José Serra e João Doria.

Recentemente, o partido enfrenta uma crise tanto nacional, desde a ascensão do presidente Jair Bolsonaro, quanto estadual, perdendo parlamentares para PSD e MDB.

Em 2022, o PSDB obteve seu pior resultado em uma eleição estadual paulista, quando o então governador Rodrigo Garcia não conseguiu se reeleger nem avançar para o segundo turno.

O partido, que já foi o maior na Assembleia Legislativa de São Paulo, hoje conta apenas com dois deputados estaduais. Na capital, pela primeira vez em 30 anos, nenhum tucano foi eleito vereador. Além disso, Datena, candidato à prefeitura, obteve apenas 1,84% dos votos e, no segundo turno, o PSDB apoiou Ricardo Nunes (MDB).

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