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Rio Nature & Climate Week começa com alerta sobre crise climática

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A primeira edição da Rio Nature & Climate Week foi inaugurada nesta terça-feira no Edifício Touring, na área do Píer Mauá, trazendo discussões globais sobre mudanças climáticas, biodiversidade e sustentabilidade. O evento, inspirado na New York Climate Week, seguirá até 6 de junho, distribuído em vários locais da cidade, como o Museu do Amanhã.

Após as boas-vindas de Rodrigo Medeiros, presidente do Instituto Natureza e Clima Brasil, e de Lucas Padilha, secretário municipal de Cultura do Rio, o cientista e meteorologista Carlos Nobre inaugurou a programação com a palestra “Emergência Climática: desafios a serem enfrentados”.

Carlos Nobre ressaltou a relevância de o Rio sediar tal evento e chamou atenção para os “pontos de não retorno” em quatro importantes biomas brasileiros: Amazônia, Cerrado, Pantanal e Caatinga. Ele explicou que o planeta atingiu 1,5 grau de aquecimento global, o que está elevando o nível do mar, que cresceu mais de 20 centímetros nas últimas três décadas. Superar esse limite pode desencadear mudanças ambientais irreversíveis.

O pesquisador destacou que 48% da vegetação original do Cerrado e da Caatinga já foi desmatada. No Pantanal, as áreas permanentemente alagadas diminuíram de 20 mil para 6 mil quilômetros quadrados. A Amazônia, maior floresta tropical do mundo, perdeu cerca de 23% de sua área devido, principalmente, à expansão da pecuária.

Carlos Nobre defendeu medidas como o desmatamento zero, combate às queimadas e degradação ambiental, promoção de programas de restauração florestal, além do investimento em sociobioeconomia e valorização dos povos indígenas e comunidades locais, essenciais para conservar os ecossistemas brasileiros.

Foco nas cidades

O debate “Cidades na linha de frente: justiça, território e a transição climática urbana” contou com a presença da ex-secretária municipal de Meio Ambiente e Clima do Rio de Janeiro, Tainá de Paula, e da oficial nacional da Organização Internacional para as Migrações, Débora Castiglione.

Tainá de Paula ressaltou a importância do planejamento e dos investimentos para mitigar os impactos ambientais, citando iniciativas como orçamento climático, observatórios de calor, parques urbanos em áreas periféricas e o programa Cada Favela uma Floresta. Ela enfatizou que as políticas climáticas devem ser direcionadas estrategicamente para territórios e priorizar grupos vulneráveis.

Débora Castiglione apontou que a crise climática é também uma crise humanitária, com aumento dos deslocamentos populacionais por desastres naturais. Ela defendeu que as cidades devem investir em prevenção e respostas eficazes, integrando a justiça climática como princípio das políticas públicas.

Participação do setor privado

O evento também trouxe um painel sobre o papel dos negócios na ação climática, com a participação de representantes como Ricardo Mussa (SBCOP), Ligia Camargo (Grupo Heineken) e Jessica Silva (Sistema B Brasil).

No encerramento, lideranças das negociações climáticas globais, incluindo Ana Toni (CEO da COP30) e Alain Richard Donwahi (presidente da COP15 da UNCCD), debateram a integração das agendas de clima, biodiversidade e combate à desertificação para acelerar as metas internacionais.

Evento cultural

Além das discussões, a Rio Nature & Climate Week encerrará com eventos musicais gratuitos promovidos pelo Global Citizen, com shows na Enseada de Botafogo nos dias 4 e 6 de junho. Destaques incluem Ms. Lauryn Hill, Wyclef Jean — celebrando 30 anos do álbum The Score, do Fugees — e a cantora Ludmilla.

O palco está montado próximo ao Edifício Argentina, com entrada controlada e acesso liberado a partir das 14h. Os shows começam às 17h e vão até às 22h, garantindo entretenimento e conscientização sobre a urgência das ações climáticas.

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