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Rivais mantêm silêncio e evitam explorar operação contra Jaques Wagner na Bahia
ACM Neto, principal adversário do PT na Bahia, escolheu não capitalizar politicamente a operação da Polícia Federal que investigou o senador Jaques Wagner, candidato à reeleição pela chapa do governador Jerônimo Rodrigues.
Segundo informações divulgadas pelo Globo em março, petistas e integrantes do grupo do ex-prefeito de Salvador acordaram nos bastidores para manter o escândalo relacionado a Daniel Vorcaro fora da campanha eleitoral estadual deste ano.
Wagner está sob investigação por supostamente favorecer interesses do banqueiro e de seu ex-sócio Augusto Lima no Congresso em troca de benefícios indevidos. As suspeitas da PF apontam para a atuação do senador em projetos legislativos importantes para a instituição financeira, especialmente em uma emenda conhecida como “emenda Master”, que ampliaria a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Em retorno, o senador teria recebido facilidades como uso de aeronave, ingressos para shows internacionais e um imóvel de luxo avaliado em R$ 2,4 milhões em Salvador.
Neto optou por não abordar o assunto em suas redes sociais e, quando questionado por jornalistas durante um evento na última sexta-feira, evitou criticar diretamente Wagner:
“Essa é uma questão que cabe ao Judiciário. Esperamos que a investigação seja completa, imparcial e correta e que, ao final, se houver culpados, que sejam punidos. Vamos aguardar os desdobramentos.”
A campanha de ACM Neto foi afetada pelas revelações do caso Master após documentos indicarem pagamentos de R$ 5,4 milhões feitos pelo banqueiro à sua consultoria entre 2023 e 2025. Por isso, ambos os grupos políticos envolvidos preferiram evitar acusações mútuas durante a disputa.
A confrontação pública partiu do ex-ministro da Cidadania durante o governo Bolsonaro e presidente estadual do PL na Bahia, João Roma, que comentou a operação nas redes sociais. Roma, candidato ao Senado pela chapa de Neto, classificou a investigação como “seriíssima” e defendeu a condução independente e respeitosa do processo legal.
Roma também criticou a postura do líder do governo no Senado, dizendo que o tema merece ser tratado com seriedade e que o comportamento debochado de Wagner sobre as acusações é alarmante.
O governador Jerônimo Rodrigues busca a reeleição enfrentando ACM Neto em uma nova disputa apertada, refletida na pesquisa mais recente Genial/Quaest, que aponta empate técnico entre os dois. Para o Senado, os candidatos petistas Rui Costa e Wagner disputam contra Roma e Ângelo Coronel, representante do Republicanos.
ACM Neto tem evitado nacionalizar a disputa e não apoia formalmente a candidatura de Flávio Bolsonaro à presidência, mesmo concorrendo junto ao PL na Bahia. Já a campanha de Jerônimo tenta destacar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como figura central da estratégia baiana.
A PF identificou uma relação estreita entre Wagner e Augusto Lima, empresário que foi parceiro no passado de Daniel Vorcaro. Essa aliança remonta ao período do governo Rui Costa, quando a Empresa Baiana de Alimentos (Ebal) foi privatizada e adquirida por Lima, que também expandiu nacionalmente um cartão de crédito consignado em parceria com o banco Master.
Documentos da PF indicam que Wagner foi autor de uma emenda legislativa, em março de 2022, favorecendo o Banco Master, agressivamente investigado. O senador nega qualquer envolvimento ou benefícios recebidos da instituição financeira.
Por sua vez, ACM Neto argumenta que sua relação com o Master ocorreu sem que ele ou seus sócios tivessem cargos públicos durante a formalização e execução dos contratos, afirmando que atuava na análise da conjuntura político-econômica nacional e participou de diversas reuniões com representantes do banco.

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