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Serviços de nuvem dos EUA apresentam riscos à segurança da Europa, alerta relatório
Mais de três quartos dos países europeus que utilizam serviços de computação em nuvem dos Estados Unidos para funções essenciais de segurança nacional enfrentam riscos significativos, conforme destaca um relatório publicado nesta sexta-feira (17).
Este estudo surge em um contexto onde governos da Europa enfrentam crescentes desafios com o controle sobre serviços digitais, principalmente na área de defesa, devido a possíveis cortes no acesso a dados, conhecidos como “kill switch”, que tendem a aumentar durante o governo do presidente Donald Trump.
“Rússia está em conflito com a Ucrânia, que é um país europeu; ao mesmo tempo, temos um presidente americano que ameaçou a Dinamarca e a Groenlândia”, afirmou o jornalista Tobias Bacherle, do Future of Technology Institute (FOTI).
De acordo com os pesquisadores, os sistemas de segurança nacional de 23 entre 28 países analisados (membros da União Europeia e Reino Unido) dependem fortemente de tecnologias americanas.
O estudo utilizou dados públicos de ministérios da Defesa, veículos de comunicação e registros de contratos públicos na UE e Reino Unido para identificar os principais contratos com fornecedores dos EUA, incluindo empresas como Microsoft, Google, Amazon e Oracle.
Entre as nações avaliadas, 16 apresentam alto risco de sofrer o impacto de um possível ‘kill switch’ dos EUA, incluindo potências militares europeias como Alemanha, Polônia e Reino Unido.
Somente a Áustria, que não faz parte da Otan, apresenta risco moderado.
Alguns países já procuram alternativas nacionais ou europeias, o que motivou as empresas americanas a oferecer serviços de nuvem “soberanos”, alegando escapar da vigilância de Washington.
Porém, a FOTI destaca que esses serviços ainda podem estar sujeitos às leis americanas que exigem a entrega de dados armazenados no exterior, além de sanções que podem suspender revisões de manutenção e segurança.
No ano anterior, os Estados Unidos suspenderam alguns serviços para a Ucrânia, incluindo imagens de satélite da Maxar, após uma reunião tensa na Casa Branca entre o presidente Trump e o líder ucraniano Volodimir Zelensky.
Este evento serviu como um alerta importante para os riscos dessa dependência digital, conforme salientou em entrevista Katja Bego, do grupo britânico Chatham House.

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