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EUA processam The New York Times por suposta discriminação a homem branco
A Comissão de Oportunidades Iguais de Emprego dos Estados Unidos (EEOC) abriu um processo contra o jornal The New York Times alegando discriminação. A denúncia afirma que o jornal deixou de promover um homem branco, preferindo uma mulher considerada menos qualificada para atender metas de diversidade.
O New York Times declarou que o processo tem motivação política e que irá se defender com firmeza.
A EEOC, agência federal de direitos civis, entrou com a ação em nome de um editor do jornal que se sentiu prejudicado ao não conseguir a promoção para editor-adjunto de Imóveis em 2025. Ele afirma ter sido vítima de discriminação baseada em gênero e raça, conforme descrito no Título VII da Lei de Direitos Civis de 1964, que proíbe discriminação no emprego por motivos de sexo, raça, nacionalidade ou religião.
De acordo com a comissão, as metas públicas da empresa para aumentar a presença de mulheres e pessoas de cor em cargos de liderança influenciaram a decisão de eliminar o candidato branco da fase final das entrevistas, enquanto avançaram três mulheres e um homem negro.
Andrea Lucas, presidente da EEOC e alinhada ao Partido Republicano, é uma forte defensora das ações do governo Trump contra políticas corporativas que, segundo ela, resultam em discriminação contra homens brancos. Em dezembro, ela chegou a encorajar homens brancos a denunciarem casos de discriminação motivados por essas práticas.
“Ninguém está acima da lei, incluindo instituições ‘de elite’. Não existe discriminação reversa; toda discriminação baseada em raça ou sexo é ilegal segundo leis de direitos civis”, afirmou Andrea.
Ela ressaltou que a EEOC não medirá esforços para assegurar a aplicação justa da lei, protegendo todos os trabalhadores americanos, incluindo homens brancos.
Por sua vez, a porta-voz do New York Times, Danielle Rhoades Ha, disse que a EEOC agiu de forma incomum e que o processo se baseia em uma única decisão de pessoal entre muitas, tentando apoiar uma narrativa preconcebida.
Segundo Danielle, a decisão foi justa e a candidata escolhida foi a mais qualificada.
Detalhes da denúncia
A ação relata que o editor, que atua no Times desde 2014, com experiência em editoria internacional e jornalismo imobiliário, foi preterido em favor de uma mulher multirracial sem experiência significativa na área.
A EEOC enfatiza que as políticas de diversidade e inclusão do New York Times são usadas como evidência das supostas práticas discriminatórias.
O processo cita o plano “Call to Action” do jornal, lançado em 2021, que pretendia aumentar em 50% a presença de negros e latinos na liderança até 2025. O jornal teria alcançado essa meta em 2022, mas manteve as políticas de diversidade.
Em 2024, liderança do jornal contava com 68% de pessoas brancas contra 29% de pessoas de cor.
Andrea é crítica das metas divulgadas por empresas desde os protestos por justiça racial ocorridos em 2020, e argumenta que tomar em conta raça ou gênero para decisões de emprego é ilegal conforme o Título VII.
Ela critica a pressão sobre gestores para incluírem diversidade em suas decisões, o que gerou críticas de que a EEOC estaria atacando práticas destinadas a reduzir desigualdades históricas.
Em paralelo, a EEOC investiga a Nike por alegada discriminação contra funcionários brancos, numa ação iniciada pela própria Andrea Lucas sem queixas de trabalhadores.

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