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Desafio de enfrentar a violência nas escolas para a maioria dos gestores

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Sete em cada dez gestores de escolas públicas (71,7%) relatam dificuldades para dialogar sobre a violência nas escolas, incluindo temas como bullying, racismo e capacitismo (preconceito contra pessoas com deficiência).

Essa foi a principal dificuldade apontada em estudo realizado com 136 gestores de 105 escolas públicas, entre municipais e estaduais.

O levantamento foi divulgado pela Fundação Carlos Chagas (FCC), em parceria com o Ministério da Educação (MEC), e tem como objetivo fundamentar o novo Guia de Clima Escolar Positivo para Equipes Gestoras, que será lançado no canal do MEC no YouTube.

Ambiente escolar e violência

Adriano Moro, coordenador do estudo e pesquisador da FCC, destaca que lidar com a violência é uma questão complexa que exige preparo e ações planejadas. Ele ressalta que a naturalização da violência por parte de alguns adultos na escola, que veem agressões como simples brincadeiras, reduz a gravidade do problema e pode resultar em omissão quando os estudantes mais precisam de apoio.

Adriano Moro também comenta que muitas escolas estão inseridas em contextos marcados por violência externa e enfrentam dificuldades em envolver famílias e comunidade, o que aumenta a pressão sobre a escola para resolver sozinha esses desafios.

Esclarecendo o bullying

Outra dificuldade identificada é a generalização do termo bullying. Adriano Moro explica que bullying é uma forma específica e grave de violência física ou psicológica que causa danos aos estudantes, e que sua utilização imprecisa pode esconder problemas como racismo, capacitismo, xenofobia ou violência de gênero.

Bullying geralmente envolve intimidação, humilhação e agressão repetida, com um ou mais agressores. Para a FCC, um clima escolar positivo é fundamental para enfrentar essas violências de forma preventiva e colaborativa, promovendo confiança e respeito entre estudantes e adultos.

Principais desafios na gestão do clima escolar

  • 67,9% dos gestores enfrentam dificuldades para aproximar escola, famílias e comunidade;
  • 64,1% apontam problemas nas relações entre estudantes;
  • 60,3% relatam dificuldade para desenvolver o sentimento de pertencimento dos alunos;
  • 60,3% identificam problemas na relação entre estudantes e professores;
  • 49% destacam desafios relacionados à promoção da segurança entre estudantes.

Mais da metade das escolas (54,8%) nunca realizou diagnóstico estruturado do clima escolar, o que é fundamental para orientar políticas de convivência e aprendizagem. Enquanto 67,6% possuem equipe dedicada a melhorar o clima escolar, nas outras a gestão assume essa responsabilidade, o que pode causar sobrecarga.

Adriano Moro observa que a gestão escolar frequentemente lida com muitas urgências simultaneamente, o que faz com que as ações sejam mais reativas do que preventivas.

Clima escolar e aprendizagem

O coordenador do estudo enfatiza a forte relação entre um clima escolar positivo e o desempenho pedagógico. Um ambiente acolhedor favorece o bem-estar e o aprendizado dos estudantes, que se sentem mais confiantes e capazes de desenvolver suas habilidades quando respeitados e seguros.

Grupo de trabalho para políticas contra violência escolar

A pesquisa ouviu escolas em dez estados do Brasil entre março e julho de 2025. Simultaneamente, o governo federal formou um grupo de trabalho (GT) para subsidiar políticas de combate ao bullying e preconceitos na educação. Esse GT é composto por técnicos do MEC e terá 120 dias para apresentar um relatório com conclusões e propostas.

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