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Igreja argentina alerta governo Milei sobre crise social
O arcebispo de Buenos Aires, Jorge Cuerva, fez um alerta nesta segunda-feira (25) ao governo de Javier Milei sobre o iminente risco de um “desmembramento social” na Argentina. Ele pediu à classe política que busque consenso e diálogo para superar a atual estagnação.
Durante a cerimônia do tradicional Te Deum na Catedral de Buenos Aires, em comemoração ao aniversário da Revolução de Maio de 1810, Cuerva afirmou: “O povo argentino, mesmo enfrentando crises constantes, continua seguindo em frente e carregando a nação. O que falta é uma liderança que, analisando essa força popular, se comprometa ao diálogo e ao encontro, especialmente por aqueles que sofrem com a falta de emprego, educação e oportunidades”.
Ele acrescentou: “Não podemos ser ingênuos, vê-se no horizonte a ameaça de um desmembramento social enquanto interesses diversos agem alheios às necessidades da população”.
A mensagem da Igreja surge em um contexto de tensões sociais após dois anos de ajustes econômicos rigorosos que deterioraram o poder de compra, resultando em precarização do trabalho e queda da atividade econômica, embora a inflação tenha sido reduzida.
A confiança no governo caiu pelo quarto mês consecutivo em maio, segundo a universidade privada Di Tella, refletindo crescimento da preocupação social com salário e desemprego.
A política de austeridade adotada por Milei, apelidada de “motosserra”, eliminou o déficit fiscal crônico do país, mas provocou milhares de demissões e cortes em áreas essenciais como saúde, educação e aposentadorias.
Cuerva reforçou a responsabilidade coletiva: “Precisamos ajudar a superar paralisações pessoais, familiares e sociais” e pediu diálogo: “Chega de fomentar divisões e polarizações”.
Ele conclamou: “Devemos abandonar linguagens agressivas, julgamentos imediatos e calúnias” e repudiou “a ostentação, o desperdício e o esbanjamento”.
O governo enfrenta ainda uma crise interna relacionada a um escândalo envolvendo o chefe de gabinete, Manuel Adorni, acusado de gastos extravagantes e aquisição de propriedades sem justificativa clara, assunto que está sob investigação judicial.

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