Brasil
Educação: base para consciência e autonomia entre Brasil e África
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou em 25 de setembro que a educação é fundamental para desenvolver uma consciência crítica e superar desigualdades, ressaltando que setores da extrema direita enxergam isso como uma ameaça.
Essa declaração foi dada na abertura do 1º Fórum de Reitores Brasil-África, realizado no Centro Internacional de Convenções do Brasil (CICB), evento que reuniu líderes universitários dos dois continentes, reunidos pela Association of African Universities (AAU).
No discurso, Lula mencionou os cinco pilares indicados durante a Cúpula de Líderes Celac-África em março, realizada em Bogotá: combate à fome, enfrentamento das mudanças climáticas, transição para energias limpas, democratização da inteligência artificial e integração das cadeias produtivas.
Segundo ele, a educação é essencial para avançar em todos esses campos. Ele destacou que a extrema direita teme a educação por ser a fonte da conscientização das pessoas sobre sua realidade.
“É por isso que, em diversas partes do mundo, a extrema direita não aceita a autonomia das universidades. Tentam silenciar professores e alunos e restringir a pluralidade. Negam a ciência, censuram as artes e usam as salas de aula para dominar”, afirmou, ressaltando o papel libertador da educação.
Para Lula, o pensamento crítico está ligado à luta contra o colonialismo, racismo, misoginia, xenofobia e qualquer forma de discriminação. Ele garantiu que as universidades continuarão sendo centros de resistência.
Importância da Inteligência Artificial
O presidente também ressaltou o papel da educação na pesquisa e desenvolvimento tecnológico, destacando a Inteligência Artificial como uma ferramenta estratégica.
“O colonialismo digital é uma ameaça atual. Controlada por poucos países e empresas, a IA pode ser usada para dominar. Sem investimentos em infraestrutura digital, será difícil superar dificuldades em tecnologia, saúde, agricultura e educação básica”, explicou. Ele defendeu que os sistemas de IA considerem também as línguas africanas.
Lula mencionou ainda que o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial oferece dois financiamentos para cooperação com África e América Latina: US$ 20 milhões para projetos conjuntos e US$ 10 milhões para uso de infraestrutura brasileira em IA para fortalecer a colaboração científica.
Universidades africanas
O secretário-geral da Associação de Universidades Africanas, Olusola Oyewle, destacou a colaboração do Brasil com instituições africanas, iniciada no primeiro governo Lula. Ele ressaltou a necessidade de “descolonizar o currículo e aprimorar a pesquisa local na África”, pedindo apoio de países como o Brasil para esse esforço.
Programa Capes Move África
Na ocasião, foram firmados acordos para o programa Capes Move África, que destinará R$ 47,4 milhões para trazer 2,6 mil estudantes de pós-graduação africanos ao Brasil a partir de 2027. Deste total, 1,6 mil bolsas são para mestrado sanduíche e 1 mil para doutorado sanduíche.
Objetivos do fórum
O fórum busca consolidar a educação superior como eixo estratégico na relação entre Brasil e países africanos, ampliando a integração acadêmica, científica e tecnológica.
Entre as atividades do evento estão painéis temáticos, reuniões bilaterais, workshops e sessões para fortalecer parcerias universitárias.
O objetivo é aprofundar acordos institucionais, programas de mobilidade estudantil, intercâmbio científico e cooperação em áreas-chave como agricultura, energias renováveis, mineração, petróleo e gás, aeroespacial, inteligência artificial e ciências humanas.
Atualmente, o Brasil mantém 235 acordos de cooperação com instituições de ensino superior de 38 países africanos.

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