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Líderes da IA acalmam preocupações sobre perda em massa de empregos
Os principais líderes da indústria de inteligência artificial (IA) estão suavizando suas previsões alarmantes a respeito do desemprego em grande escala, mesmo diante do aumento da resistência pública contra o setor por conta das transformações prometidas nos ambientes de trabalho.
Os CEOs da Nvidia, Jensen Huang, e da OpenAI, Sam Altman, conhecidos por declarações que geraram inquietação sobre os impactos da IA na sociedade, agora afirmam que os avisos catastróficos foram exagerados ou, em algumas situações, pouco sinceros.
Em uma entrevista à Channel News Asia na segunda-feira (25), Huang contestou diretamente outros executivos que publicamente atribuíram cortes de empregos à IA.
“Para muitos CEOs que utilizam a IA, associá-la imediatamente à perda de empregos é uma narrativa simples demais”, declarou.
Ele acrescentou: “A IA está apenas começando. Como é possível que já estejam eliminando vagas?”. Huang há tempos defende que a IA criará tantas oportunidades quanto eliminará.
Ele também rejeitou as previsões sombrias de alguns players do setor, afirmando que as recentes demissões em empresas não foram causadas por essa tecnologia.
“Não faz sentido que a IA tenha sido útil apenas nos últimos seis meses, e que, mesmo assim, cortes tenham ocorrido há dois anos alegando a IA como causa”, afirmou.
“Isso foi apenas para parecer inteligente, e isso me incomoda. Estamos assustando as pessoas, e isso é irresponsável”, acrescentou.
Reconhecimento de equívoco por Altman
Na semana anterior, o banco britânico Standard Chartered revelou planos para eliminar milhares de vagas até 2030, citando a substituição de funções administrativas pela inteligência artificial.
A companhia responsável pela rede social Snapchat cortou 1.000 postos recentemente, argumentando que a IA está aumentando a produtividade rumo à lucratividade.
Altman admitiu um erro. Durante a conferência Accelerate AI do Commonwealth Bank of Australia, em Sydney, ele afirmou que o desenvolvimento acelerado da IA não resultaria no “apocalipse do emprego” previsto ou promovido por algumas empresas, incluindo a sua.
“Imaginava que haveria um impacto maior na eliminação de posições de nível inicial do que realmente ocorreu”, declarou durante a conferência na terça-feira (26), segundo o jornal The Australian.
“Agora entendo melhor por que isso não aconteceu – felizmente -, mas minha intuição estava equivocada”, completou.
O CEO da Anthropic, Dario Amodei, também suavizou seu posicionamento, prevendo que mesmo que 90% dos empregos sejam automatizados, os 10% restantes serão ocupados por trabalhadores humanos que se tornarão muito mais produtivos.
Amodei enfrentou críticas de outros membros do setor por seu otimismo cauteloso, embora a Anthropic tenha se destacado como uma empresa de sucesso.
Huang declarou ano passado que discordava fortemente das opiniões de Amodei.
As declarações de Altman e Amodei acontecem no momento em que OpenAI e Anthropic planejam abrir seu capital, buscando amplo apoio dos investidores.
Contudo, as previsões alarmistas antigas agora geram reação contrária à indústria de IA. Especialmente nos Estados Unidos, as pesquisas mostram profundo descontentamento público com as mudanças que empresas de tecnologia e políticos associam à IA.
Lisa Cook, integrante do Federal Reserve (Fed), advertiu na quarta-feira (27) que os efeitos completos da IA no emprego ainda podem estar por vir.
“Podemos estar passando pela maior reorganização do trabalho em gerações”, afirmou em discurso na Universidade Stanford, acrescentando que as perdas de empregos relacionadas à IA podem ocorrer antes dos ganhos, embora o cenário a longo prazo continue positivo.
Grande parte das instituições econômicas, incluindo o Banco Central Europeu, indicam que até o momento a inteligência artificial provocou impactos menores no mercado de trabalho.

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