Centro-Oeste
Distrito Federal lidera queda de homicídios no Brasil em uma década
O Distrito Federal marcou um avanço importante na segurança pública ao registrar a maior diminuição na taxa de homicídios do Brasil na última década. Dados do Atlas da Violência 2026 apontam que, entre 2014 e 2024, a capital federal teve a maior queda no número de assassinatos e assumiu o terceiro lugar entre as unidades federativas com menor índice de mortes violentas em 2024, com uma taxa de 10,3 homicídios por 100 mil habitantes, ficando atrás apenas de São Paulo (6,6) e Santa Catarina (8,1).
O estudo também considerou os “homicídios ocultos”, que são mortes violentas inicialmente registradas como causas indeterminadas e depois estimadas como assassinatos. Nesse aspecto, o Distrito Federal reduziu de 31 para 10,9 mortes por 100 mil habitantes entre 2014 e 2024, uma queda de 64,8% no período. Com esse resultado, a capital passou a ser a segunda com menor taxa de homicídios estimados no país, superando São Paulo.
Esses dados foram divulgados pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), responsáveis pelo Atlas da Violência 2026, que é um estudo importante que organiza e analisa estatísticas sobre violência e segurança pública no Brasil para orientar políticas públicas com base em dados.
A Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal destacou que acompanha atentamente esses números e atribuiu o resultado à integração das forças de segurança, investimentos em tecnologia, monitoramento estratégico e ações de prevenção guiadas por dados.
“O estudo divulgado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública indica Brasília como a capital mais segura do país no primeiro quadrimestre de 2024, considerando os indicadores de crimes violentos letais intencionais. Isso mostra a eficácia das políticas públicas implementadas no DF nos últimos anos”, ressaltou a Secretaria de Segurança Pública.
Entre as estratégias adotadas estão a ampliação do videomonitoramento, fortalecimento da cooperação entre as forças de segurança, investimento em inteligência e análise criminal, prevenção territorializada e o acompanhamento constante dos indicadores para definir operações e políticas públicas eficazes.
A participação ativa da população por meio dos Conselhos Comunitários de Segurança (Consegs) também é destacada, pois aproxima a sociedade do poder público, permitindo identificar rapidamente as necessidades locais e auxiliando na criação de soluções preventivas regionais. Para o secretário de Segurança Pública do DF, Alexandre Patury, esses dados mostram a importância da colaboração entre instituições e da continuidade das políticas públicas.
“Os números confirmam que o Distrito Federal progride consistentemente na proteção da vida e no combate à criminalidade. Esse avanço resulta do trabalho conjunto das forças de segurança, investimentos constantes em tecnologia e capacitação, além do envolvimento da sociedade por meio dos Consegs e da análise estratégica dos dados. Nosso maior desafio é manter essa tendência de queda, especialmente diante das mudanças na criminalidade e no crescimento urbano. Continuaremos atuando de forma preventiva, integrada e baseada em evidências para garantir mais segurança aos moradores do DF”, afirmou o secretário.
A Secretaria ainda afirma que a redução da violência é fruto de políticas públicas permanentes, trabalho coordenado entre os órgãos de segurança e participação social. Os dados são monitorados continuamente para aprimorar as estratégias de prevenção e combate ao crime, com foco na preservação da vida e segurança da população do Distrito Federal.
Outros dados
Embora a maioria dos indicadores de violência tenha diminuído, o estudo aponta aumento nos casos de violência contra idosos no Distrito Federal. A taxa de notificações envolvendo idosos passou de 33,3 para 55 casos por 100 mil habitantes entre 2014 e 2024, um crescimento de 65,2%. Em números absolutos, os registros saltaram de 93 para 220 no período, um aumento de cerca de 137%.
Por outro lado, o DF teve desempenho positivo nos indicadores de violência armada. Em 2024, registrou a menor porcentagem do país de homicídios cometidos com arma de fogo, ou seja, 40,6% dos assassinatos, enquanto a média nacional foi de 70,1%. O número absoluto de homicídios por arma de fogo caiu de 633 em 2014 para 125 em 2024, uma queda de 80,3%.
Também houve redução nas mortes violentas contra mulheres, jovens e pessoas negras. Os homicídios de mulheres caíram de 60 em 2014 para 34 em 2024, com uma redução de 22,7% só entre 2023 e 2024. A violência contra pessoas negras diminuiu 64,5% na década, de 710 para 252 casos.
Entre os jovens de 15 a 29 anos, a queda foi significativa, com os homicídios caindo de 453 para 89 entre 2014 e 2024, uma redução próxima a 80%.

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