Conecte Conosco

Destaque

Brasil ingressa em grupo de países com muito alto IDH; GO é campeão em desigualdade de renda entre homens e mulheres

Publicado

em

Avanço foi impulsionado por políticas de educação, renda e inclusão social, como o Bolsa Família

 

Tábita Marinho

Impulsionado por políticas de educação, renda e inclusão social, como o Bolsa Família, o Brasil alcançou, pela primeira vez na história, o patamar de muito alto desenvolvimento humano. Dados inéditos do Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) divulgados nesta terça-feira (26.05), pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) indicam que o índice brasileiro que mede longevidade (saúde), renda e educação, chegou a 0,805 em 2024, o melhor nível da história.

Assim que o relatório foi divulgado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez uma publicação em seu perfil no X, em que afirmou: “Um resultado que não é coincidência, mas reflexo de escolhas políticas consistentes e coordenadas, com impacto direto nos indicadores de educação, longevidade e renda mapeados pelo IDHM. Sabemos que ainda temos um longo caminho pela frente, com desigualdades regionais, de gênero e de raça que precisam ser superadas. O resultado já alcançado mostra que estamos no caminho certo”, destacou Lula.

Os novos dados do Radar IDHM – relatório que acompanha e analisa os dados do Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM), do Índice de Desenvolvimento Humano Municipal Ajustado à Desigualdade (IDHMAD) e de seus componentes – se referem ao período de 2012 a 2024.

Crescimento em todos os Estados

O crescimento do IDHM foi registrado em todas as unidades da Federação entre 2012 e 2024. Segundo o Radar IDHM, dez UFs alcançaram o patamar de muito alto desenvolvimento humano em 2024, enquanto as demais permaneceram na faixa de alto desenvolvimento humano.

Goiás tem maior desigualdade de renda entre homens e mulheres

Radar IDHM

Diferença entre homens e mulheres no IDHM ajustado à renda do trabalho na RM de Goiânia

Diferença entre homens e mulheres no IDHM ajustado à renda do trabalho na RM de Goiânia

Entre homens e mulheres, os indicadores revelam disparidades, principalmente quando considerado o IDHM ajustado pela renda do trabalho. A maior diferença foi encontrada em Goiás (R$ 554,49).

No recorte geral, o índice dos homens é de 0,802, enquanto o das mulheres é de 0,798. Das 21 regiões metropolitanas estudadas (considerando também a Ride de Teresina), o índice chegou, em 2024, à faixa de muito alto desenvolvimento humano em 15 regiões, para os homens, e, em 14 regiões para as mulheres.

Os homens apresentaram resultados superiores aos das mulheres em 13 estados; as mulheres, por sua vez, registraram valores superiores aos dos homens em seis estados. As regiões metropolitanas de São Luís e Cuiabá apresentaram os mesmos valores de IDHM ajustado à renda para homens e mulheres.

Desigualdades persistentes

Apesar do avanço histórico, o relatório aponta que as desigualdades raciais, de gênero e regionais ainda permanecem significativas no país.

A marcante desigualdade racial no Brasil é evidenciada pelos diferentes patamares alcançados entre a população negra e a população branca. A primeira está sempre uma faixa abaixo de desenvolvimento humano em relação à segunda. A novidade é que a desigualdade diminuiu: em 2012 a diferença era de 0,110 e, em 2024, de 0,077 (a distância foi reduzida de 14% para 9%).

No lançamento do Relatório, o chefe do PNUD no Brasil, Claudio Providas, destacou que os dados refletem décadas de investimentos e políticas públicas voltadas à melhoria da qualidade de vida da população. “Não é um número insignificante. Representa décadas de investimento público, de políticas que prolongaram vidas, abriram as portas das escolas e colocaram renda nas mãos das pessoas. Isso merece ser reconhecido”, afirmou.

“A tarefa agora é não se contentar com a média. É usar essa plataforma para construir um sistema educacional à altura do momento – um sistema tecnologicamente fluente, informado sobre as questões climáticas e economicamente honesto sobre o que o futuro exige. A sociedade brasileira como um todo tem um papel decisivo no avanço do IDH, e o desenvolvimento humano não é produzido apenas pelo governo, embora ele tenha um papel fundamental. O relatório insiste muito na ideia de escolhas coletivas”, destacou Providas.

Segundo a coordenadora da Unidade de Desenvolvimento Humano do PNUD no Brasil, a economista Betina Barbosa, o crescimento do IDHM brasileiro está diretamente ligado aos avanços na educação, especialmente entre a população negra. “O desenvolvimento brasileiro não vai melhorar se não for um desenvolvimento inclusivo. Inclusão significa trazer para o conjunto de políticas públicas a população negra e as mulheres”, destacou Betina.

Diferenças Regionais

Os dados também revelam diferenças regionais expressivas. No Rio Grande do Sul, por exemplo, um homem branco tem expectativa de vida média de 81 anos. Já no Amapá, um homem negro vive, em média, 73 anos. Em relação à renda, uma pessoa branca no Distrito Federal tem rendimento médio de R$ 1.987, enquanto uma pessoa negra no Maranhão registra média de R$ 446.

Fator educação

O estudo aponta que a educação foi a dimensão que mais impulsionou o crescimento do IDHM brasileiro ao longo da série histórica. O relatório também associa parte desse avanço a políticas públicas de inclusão social e permanência escolar, como o Bolsa Família, que ajudou a ampliar a frequência escolar e reduzir o trabalho infantil.

Impactos da pandemia

O estudo avaliou os impactos da pandemia de Covid-19 sobre os indicadores sociais. Em 2020 e 2021, houve queda nos índices de desenvolvimento humano em todo o país, afetando especialmente longevidade, renda e educação. Segundo o PNUD, o Brasil ainda não recuperou completamente o ritmo de crescimento observado antes da crise sanitária.

Clique aqui para comentar

Você precisa estar logado para postar um comentário Login

Deixe um Comentário

Copyright © 2024 - Todos os Direitos Reservados