Economia
S&P Global alerta para alta no preço do combustível de aviação até 2028
A crise provocada pelo fechamento do Estreito de Ormuz ainda pode gerar uma nova elevação nos preços dos combustíveis de aviação, mantendo o mercado sob forte pressão até 2028, segundo a avaliação base da S&P Global.
A análise foi apresentada hoje por Eleanor Budds, diretora de pesquisa de combustíveis e refino da consultoria, durante a reunião anual da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA).
Eleanor explicou que o mercado vem sendo estabilizado pelo uso dos estoques acumulados e pelo aumento das exportações de combustíveis por alguns países.
No entanto, com a chegada do período de maior consumo de gasolina nos Estados Unidos e na Europa, a disponibilidade extra de querosene de aviação pode diminuir, levando a uma nova pressão sobre os preços. “Acreditamos que a situação pode piorar antes de melhorar”, ressaltou.
A S&P Global estima que a quantidade disponível de combustível de aviação sofreu uma queda entre 20% e 30% desde o início do conflito, devido à redução da atividade das refinarias e aos entraves logísticos gerados pela interrupção dos fluxos comerciais na região.
Em consequência, o preço médio global do combustível de aviação subiu de US$ 96 por barril em novembro de 2025 para US$ 188 por barril em abril deste ano. Em maio, houve uma queda para US$ 158 por barril, mas o valor ainda se mantém alto.
Eleanor destacou que a reabertura do Estreito de Ormuz não traria alívio imediato aos mercados.
De acordo com a S&P Global, a recuperação da cadeia de abastecimento demandaria alguns meses: cerca de 80% da produção petrolífera anterior ao conflito só retornaria após quatro meses, enquanto as refinarias levariam aproximadamente cinco meses para alcançar os níveis anteriores à guerra.
Cenários
A S&P Global considera três cenários possíveis para o desenvolvimento da crise. O menos provável é um acordo negociado que leve à reabertura completa do Estreito de Ormuz, permitindo uma rápida volta às condições pré-conflito.
No cenário oposto, chamado “Quagmire”, haveria interrupções frequentes na navegação por até três anos, com preços altos e voláteis de forma persistente.
Entre esses extremos está o cenário-base, considerado o mais provável. Nele, a reabertura gradual da rota marítima começaria entre o fim de julho e agosto, porém os preços permaneceriam superiores aos níveis anteriores ao conflito por um longo período, com estabilização prevista apenas para 2028.
Essas projeções da S&P Global reforçam as preocupações do setor aéreo quanto aos custos do combustível. O lucro das companhias aéreas deve ser reduzido à metade em 2026, chegando a US$ 23 bilhões, contra US$ 45 bilhões em 2025, segundo projeção da IATA.
A entidade calcula que o custo do combustível de aviação será cerca de 70% maior neste ano, elevando as despesas das empresas com combustível em aproximadamente US$ 100 bilhões e fazendo com que o querosene de aviação represente mais de 31% dos custos totais do setor, ante 25% no ano anterior.


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