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Partido do primeiro-ministro vence eleições no Kosovo, mas sem maioria

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O partido do primeiro-ministro do Kosovo, Albin Kurti, saiu na frente nas eleições legislativas realizadas neste domingo (7), marcando a terceira votação em apenas 16 meses. No entanto, o partido não conseguiu votos suficientes para governar sozinho neste país dos Bálcãs, conforme indicam as pesquisas de boca de urna.

O partido Vetëvendosje (VV), liderado pelo primeiro-ministro social-democrata Albin Kurti, arrecadou pouco mais de 40% dos votos, conforme pesquisas divulgadas pelos três maiores veículos de comunicação do Kosovo.

Esse resultado representa uma queda de mais de 10 pontos percentuais em comparação às eleições de dezembro do ano passado.

Desde a votação de fevereiro de 2025, o Parlamento enfrenta um impasse. Na época, o partido de Kurti ficou em primeiro lugar, porém sem maioria para formar um governo.

Após meses de dificuldades e falta de acordo, o país optou por convocar eleições antecipadas em dezembro. O VV reconquistou o primeiro lugar, obtendo mais de 51% dos votos, e conseguiu montar um governo.

No entanto, o Parlamento se deparou com a eleição do presidente do país, um cargo principalmente cerimonial. Devido à divisão significativa entre os deputados, não foi possível fechar um consenso.

As divergências levaram a mais uma dissolução do Parlamento em abril.

“Basta!”, declarou Gezim Selimi, um professor aposentado de 66 anos, após votar cedo em Pristina, capital do Kosovo.

“Espero que os partidos finalmente reflitam e atuem em prol do Kosovo, ao invés de continuar perdendo tempo em disputas pelo poder organizando eleições frequentes”, afirmou ele à AFP.

Depois de votar, Kurti convocou os 2,1 milhões de eleitores registrados, residentes e no exterior, a comparecerem em massa às urnas para fortalecer a legitimidade e a estabilidade das instituições.

Considerado o país mais jovem da Europa, o Kosovo declarou independência da Sérvia em 2008. Sua população é de aproximadamente 1,6 milhão de habitantes, majoritariamente albaneses-kosovares, com uma significativa minoria sérvia.

O especialista em política econômica Ardi Uka comentou que “a crise deve se estender, visto que o país entrou em um ciclo semelhante ao observado na Bélgica e Bulgária”, dois países conhecidos por dificuldades na formação de governos estáveis.

A campanha eleitoral teve como destaque a inflação, que subiu de 5% em janeiro e continua crescendo, especialmente devido ao aumento nos preços dos alimentos, segundo o FMI.

A instabilidade política também prejudicou a chegada dos fundos europeus previstos no plano de crescimento dos Bálcãs Ocidentais, promovido por Bruxelas.

Essas novas eleições custaram ao Kosovo mais de dez milhões de euros (cerca de 59 milhões de reais), um valor muito alto para uma das nações mais pobres da Europa.

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