Brasil
Brasil se desculpa por discursos de ódio contra Dom e Bruno
O governo do Brasil apresentou nesta quinta-feira (11) um pedido oficial de desculpas pelos discursos difamatórios e de ódio dirigidos ao jornalista Dom Phillips e ao indigenista Bruno Pereira no episódio de seu desaparecimento e assassinato em 2022.
A retratação foi feita pelo ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom/PR), Sidônio Palmeira, em nome do Estado Brasileiro, às famílias dos dois importantes defensores dos direitos indígenas durante a cerimônia de premiação do Concurso Dom Phillips e Bruno Pereira de Jornalismo e Comunicação.
Este pedido de desculpas integra o compromisso assumido pelo Brasil junto à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA).
“Dom Phillips e Bruno Pereira desempenhavam um papel essencial no Vale do Javari. O governo brasileiro trabalha para reconhecer esse empenho — combatendo o crime organizado na Amazônia e protegendo defensores dos direitos humanos, comunicadores e ambientalistas. Por isso, temos a certeza e a legitimidade para pedir desculpas pelos discursos difamatórios e de ódio proferidos contra ambos no contexto de seu desaparecimento e falecimento em 2022″, declarou o ministro.
Ele ressaltou que Bruno e Dom exemplificam a dedicação ao povo brasileiro, enfrentando privilégios, desigualdades e o crime organizado, inclusive suas conexões institucionais e com pessoas influentes.
“Quem luta por essa causa não terá uma vida tranquila. Existem pessoas dispostas a arriscar suas vidas para barrar a exploração ilegal do país. Nosso compromisso é honrar essas pessoas e atuar pela sustentabilidade, dignidade, justiça e prosperidade compartilhada do povo brasileiro em sua diversidade”, afirmou o ministro.
Contexto
Bruno e Dom foram assassinados em 5 de junho de 2022, vítimas de uma emboscada enquanto navegavam pelo Vale do Javari, no Amazonas, região que abriga a Terra Indígena Vale do Javari, a segunda maior do país, com mais de 8,5 milhões de hectares.
A dupla foi vista pela última vez ao se deslocar da comunidade São Rafael para Atalaia do Norte (AM), onde planejava reunir-se com líderes indígenas e comunidades ribeirinhas. Seus corpos foram localizados dez dias depois, enterrados em área de mata fechada a cerca de 3 km do Rio Itacoaí.
Dom Phillips, colaborador do jornal britânico The Guardian, dedicava-se ao jornalismo ambiental, abordando conflitos territoriais e a situação dos povos indígenas, além de preparar um livro sobre a Amazônia.
Bruno Pereira já havia liderado a Coordenação-Geral de Índios Isolados e Recém-Contatados na Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai). Após se afastar do órgão, passou a atuar na União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja). Por seu trabalho em defesa das comunidades indígenas e do meio ambiente, sofreu diversas ameaças de morte.
Segundo o Ministério Público, o motivo do assassinato foi o trabalho de Bruno e Dom contra a pesca ilegal na região, promovendo educação ambiental em comunidades indígenas.
Em julho do ano anterior, a Justiça Federal do Amazonas aceitou denúncia do Ministério Público Federal contra Rubén Dario Villar, conhecido como Colômbia, apontado como mandante do crime e líder de uma quadrilha de pesca ilegal no Vale do Javari.
Concurso
O podcast “Crianças Sabidas – Série Trilhinhas Amazônicas”, produzido pela Radioagência Nacional, conquistou o terceiro lugar na categoria de Iniciativa de Educação Midiática relacionada à proteção do meio ambiente, povos indígenas ou comunidades tradicionais, no Concurso Dom Phillips e Bruno Pereira de Jornalismo e Comunicação em Defesa do Meio Ambiente e dos Direitos dos Povos Indígenas e Comunidades Tradicionais.
A fotojornalista Tânia Rêgo, da Agência Brasil, recebeu menção honrosa pelo conjunto de imagens da reportagem “Áreas de retomada guarani em MS enfrentam dificuldades e violência”, publicada em setembro de 2024.


Você precisa estar logado para postar um comentário Login