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Comunidade japonesa rejeita grandes centros de IA por preocupações ambientais

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A ampliação da infraestrutura de inteligência artificial no Japão está gerando críticas entre moradores locais devido aos possíveis impactos ambientais e urbanos causados pelos chamados data centers.

Em Hino, cidade nos arredores de Tóquio, a população se opõe à construção de um novo complexo que abrigará servidores responsáveis pelo processamento e armazenamento de dados utilizados em sistemas de IA.

A principal inquietação é o tamanho da construção e suas consequências para os vizinhos. Mesmo com modificações no projeto, dois dos três edifícios planejados terão 63,5 metros de altura, o que pode diminuir a luz do sol que alcança as residências próximas e transformar a paisagem local.

Além disso, os moradores temem o aumento da temperatura, do ruído e os riscos ligados às baterias e geradores de emergência dos centros de dados.

Yoriko Kitagawa, de 94 anos, residente de Hino, comentou: “Quanto mais descubro sobre esse projeto, mais preocupado fico. É algo muito ruim.”

Outro morador, Yasuo Yamazaki, 69 anos, expressou receio quanto a incêndios causados pelas baterias e possíveis explosões dos reservatórios de combustível dos geradores.

A construtora Mitsui Fudosan afirmou que busca reduzir os impactos ambientais criando uma faixa verde de até 78 metros de largura, com árvores e um córrego, para diminuir ruídos, calor e o isolamento causado pelos edifícios.

Essa situação acontece em meio a uma intensa competição global pelo avanço da inteligência artificial, com investimentos bilionários em data centers para treinar modelos e armazenar grandes volumes de dados produzidos diariamente.

O Japão almeja ser protagonista nesse campo. O governo planeja ter 10 milhões de robôs em operação até 2040 e discute aumentar o uso de usinas nucleares para suprir a crescente demanda energética, quase 15 anos após o desastre de Fukushima.

Especialistas indicam um desafio extra para o Japão: cerca de 80% do território é montanhoso, limitando as áreas urbanas disponíveis para tais empreendimentos. Atualmente, aproximadamente 90% dos data centers estão em Tóquio e Osaka.

Essa resistência não é exclusiva de Hino. Em Inzai, outra cidade próxima à capital, onde já existem pelo menos dez data centers, incluindo um do Google, moradores recorreram à Justiça para tentar barrar um novo projeto, citando prejuízos à qualidade de vida devido ao aumento de ruídos, vibrações, calor, tráfego e perda de áreas ensolaradas.

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