Brasil
EUA solicitam ao Brasil abertura do setor químico e isenção tarifária para bens industriais
Durante as reuniões com os Estados Unidos, realizadas pouco antes da imposição de novas tarifas sobre produtos brasileiros, o governo brasileiro recebeu pedidos das autoridades americanas, que foram classificados como negociáveis e não negociáveis.
Márcio Elias Rosa, ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), afirmou em coletiva de imprensa que o Brasil se afastou de qualquer demanda que pudesse comprometer o interesse e a soberania nacional, como no caso do Pix, ou causar prejuízos significativos ao setor industrial brasileiro.
Ele destacou que os Estados Unidos buscavam a abertura completa do mercado do setor químico, a eliminação das tarifas sobre bens industriais e o acesso ao mercado automotivo norte-americano, entre outros setores.
Sobre o setor automotivo, o vice-presidente Geraldo Alckmin declarou que o Brasil segue rigorosamente as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC), ressaltando que o imposto de importação de veículos é de 35%, enquanto a Europa recentemente elevou o seu para 45%.
Márcio Elias Rosa ressaltou que o governo brasileiro deixou claro que não aceitará nenhum acordo que comprometa os interesses nacionais e o setor produtivo.
Outro ponto abordado nas negociações foi sobre minerais críticos. Os EUA solicitaram que o Brasil restringisse investimentos internos em projetos e empresas do setor, seguindo exemplos de acordos com países como Reino Unido e Austrália. O ministro afirmou que essa solicitação foi rejeitada veementemente, reforçando que minerais críticos e terras raras são estratégicos e pertencem ao Brasil.
O ministro classificou as negociações com o embaixador Jamieson Greer como cautelosas, ainda que sem resultados satisfatórios, e criticou a falta de uniformidade no discurso americano, evidenciada por contradições entre declarações dos diversos representantes dos EUA.
Em uma postagem na rede social X, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, acusou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu governo de não terem negociado com transparência, justificando assim a confirmação da tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. Rubio também afirmou que as políticas econômicas do governo brasileiro são desfavoráveis tanto para os Estados Unidos quanto para o Brasil.

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