Economia
Aumento dos afastamentos por saúde mental alerta empresários em crescimento
Empresas em crescimento frequentemente focam suas energias em vendas, contratações, expansão, novos produtos e investimentos. Contudo, o bem-estar físico, mental e emocional daqueles que tomam as principais decisões é igualmente crucial para o progresso do negócio.
O tema ganhou destaque com o aumento dos afastamentos ligados à saúde mental. Em 2025, a Previdência Social registrou 546,2 mil afastamentos por transtornos mentais e comportamentais, representando um aumento de 15,7% em relação a 2024, conforme dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT), obtidos por meio do Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho e do Ministério da Previdência Social.
Em 2026, a atualização da NR-1 passou a contemplar fatores de risco psicossociais no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais, ampliando o cuidado das empresas quanto à organização do trabalho.
Para os empresários, essa questão assume uma importância especial. Além de gerir equipes e resultados, muitos administram decisões comerciais, financeiras, operacionais e estratégicas. Quando essa carga se torna constante, a qualidade das decisões pode ser comprometida, levando a uma postura mais reativa da empresa.
O empresário e investidor Macário Moraes destaca que a energia do líder deve ser vista como parte da capacidade de crescimento da empresa.
“Uma empresa que cresce demanda decisões mais qualificadas, não apenas mais horas de trabalho. Quando o empresário está esgotado, tende a decidir de forma improvisada, a centralizar excessivamente, postergar discussões essenciais e transformar oportunidades em fontes adicionais de pressão”, explica.
Macário observa que esse problema é comum em empresas fundadas por seus líderes, cuja participação intensa nos primeiros ciclos pode dificultar a delegação de responsabilidades e o desenvolvimento de lideranças independentes.
“Muitos empresários sentem que não podem se afastar, mesmo diante de sinais claros de cansaço, porque o negócio foi estruturado em torno deles. A função do empresário deveria ser organizar o trabalho alheio para expandir a empresa, mas muitos continuam presos a fazer tudo funcionar individualmente”, analisa.
Entre os sintomas de alerta estão dificuldade para diferenciar o que é urgente do que é prioritário, sensação constante de estar atrasado, decisões concentradas em uma única pessoa, baixa paciência com a equipe, perda de visão sobre indicadores e uma agenda dominada por problemas operacionais.
Para Macário, empresas que querem crescer precisam dar à liderança a mesma atenção dedicada a vendas, finanças e operações. Isso envolve organizar reuniões, acompanhar indicadores, definir responsáveis por cada área e reservar tempo para avaliar oportunidades.
“Os funcionários devem ter condições para manter a empresa funcionando. O empresário, por sua vez, precisa focar nas oportunidades, mercados e decisões que impulsionam o negócio a uma nova etapa. Quando esses papéis se confundem demais, o crescimento vem com maior desgaste”, reforça.
A organização pode diminuir a dependência do fundador, criando processos, distribuindo responsabilidades e preparando lideranças capazes de tomar decisões operacionais, enquanto o empresário concentra esforços na estratégia.
“Crescer sem perder o equilíbrio significa construir uma empresa que não dependa de uma única pessoa. O empresário precisa de energia para identificar oportunidades, desenvolver lideranças e conduzir o negócio, caso contrário, ele acaba sendo o principal obstáculo.”
A condição do líder também influencia as relações com investidores, sócios e parceiros. Em empresas em crescimento, capacidade de execução, organização e previsibilidade são essenciais para garantir novos aportes e oportunidades.
Conforme Macário, o crescimento sustentável resulta da combinação entre uma estrutura de gestão robusta e a maturidade da liderança.
“Capital, equipe e mercado são essenciais, mas é fundamental ter uma liderança clara e energizada para decidir. Crescer de forma equilibrada requer organizar a empresa para que o avanço seja saudável para o negócio e para as pessoas envolvidas”, conclui.


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