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EUA acusam Meta de criar dependência em adolescentes

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Meta está sendo acusada de criar dependência em menores de idade e de explorar essa situação, conforme declarou uma promotora da Califórnia no início de um julgamento contra a gigante das redes sociais, acusada de ter projetado o Instagram e o Facebook para esse propósito.

Uma coalizão de estados americanos exige que a Meta pague US$ 200 bilhões em multas por utilizar tecnologia que tem como objetivo gerar vício entre adolescentes, em um paralelo com as práticas das companhias de tabaco há cerca de trinta anos.

Segundo a procuradora-geral adjunta da Califórnia, Megan O’Neill, o modelo de negócios da empresa consiste em atrair os usuários, mantê-los por longos períodos, coletar seus dados e ocultar a verdade da população. Ela enfatizou que a empresa se aproveitou do funcionamento do cérebro dos menores.

A Meta nega as acusações e afirma que trabalha junto com pais, especialistas e autoridades para implementar medidas de proteção para crianças e adolescentes. O advogado da empresa reconheceu que alguns usuários foram afetados negativamente pelo Facebook e Instagram, mas defendeu que a companhia tomou providências para minimizar esses riscos.

O fundador e CEO da empresa, Mark Zuckerberg, e o diretor do Instagram, Adam Mosseri, estão entre as principais testemunhas esperadas para depor no julgamento.

Do lado de fora do tribunal, mães relataram que seus filhos foram levados ao suicídio por causa das redes sociais e exigiram que a Meta preste contas. Lori Schott afirmou que o poder e lucro da empresa não justificam o dano causado, e que nenhuma empresa deve estar acima da verdade, da lei e da proteção dos filhos.

Este julgamento federal é apenas o primeiro de uma série que visa plataformas como TikTok, Snapchat e YouTube, frequentemente acusadas por pais e autoridades de prejudicar a saúde mental dos jovens.

A Meta, com mais de 3 bilhões de usuários pelo mundo, é a única empresa respondendo neste processo. As proibições incluem restrições a mudanças nos aplicativos para limitar o uso por jovens e proteger seus dados, conforme solicitado pelos estados que fazem parte do processo.

Embora 29 estados estejam envolvidos na ação iniciada em 2023, os procuradores-gerais da Califórnia, Colorado, Kentucky e Nova Jersey lideram o caso.

A acusação está centrada em três pontos principais: a Meta teria ocultado informações sobre os riscos dos seus aplicativos para adolescentes; adotado funcionalidades para prender os usuários, como filtros de aparência e controles facilmente burlados de tempo no aplicativo; e recolhido dados de crianças menores de 13 anos sem autorização dos pais, violando leis federais.

O julgamento está previsto para durar seis semanas, com veredito esperado para outubro.

Paralelo com empresas de tabaco

Embora não seja o primeiro caso que busca responsabilizar empresas de tecnologia pelos malefícios causados, esse processo pode se tornar um marco importante.

Vincent Joralemon, jurista da Universidade de Berkeley, destacou que o principal problema é o dano à confiança e a necessidade de mudanças significativas nas práticas da Meta.

Ele apontou o processo como semelhante ao enfrentado pelas companhias de tabaco nos anos 1990, quando órgãos reguladores americanos moveram ações contra essas empresas por danos à saúde pública.

Dezenas de estados processaram grandes fabricantes de cigarros, o que resultou em um acordo histórico em 1998, que envolveu avaliações econômicas e alterações nas práticas de comercialização desses produtos.

Desde então, as empresas de tabaco pagaram mais de US$ 176 bilhões em indenizações, conforme dados da Associação Nacional de Procuradores-Gerais.

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