Economia
Alckmin: Pix é bem do Brasil e não será negociado com EUA
O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, considerou “muito injusta” e “totalmente inadequada” a sugestão do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) de criar uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, baseada na chamada Seção 301.
Alckmin informou que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva está empenhado em reverter essa proposta antes que seja oficialmente adotada pelo presidente americano, Donald Trump.
Em entrevista coletiva realizada nesta terça-feira (2), em Brasília, Alckmin defendeu o Pix, sistema criado pelo Banco Central do Brasil em 2020, afirmando que ele não será alvo de negociação com os Estados Unidos porque “não prejudica ninguém e traz muitos benefícios ao povo brasileiro”.
“O Pix é um bem do Brasil, é uma conquista da população, uma tecnologia a serviço da sociedade e da economia, sem custos para empresas e cidadãos. Não faz sentido negociar algo que não gera prejuízo a ninguém”, declarou o vice-presidente, descartando qualquer negociação envolvendo o sistema de pagamentos instantâneos nacional.
Patriotas e sabotadores
Alckmin criticou aqueles que, segundo ele, tentam sabotar internamente o país por interesses eleitorais, em um momento de negociações entre Brasil e Estados Unidos.
“Sempre que o diálogo avança, infelizmente, há pessoas que se dizem patriotas, mas na verdade atrapalham, colocando seus interesses pessoais e eleitorais acima do interesse público e do país”, afirmou o vice-presidente.
Ele destacou que essa sabotagem afeta o emprego, a renda, e prejudica empresas e a população brasileira.
Comércio desequilibrado
Alckmin contestou a argumentação de Washington sobre o suposto desequilíbrio comercial entre os países.
Segundo ele, a balança comercial favorece amplamente os Estados Unidos. “No ano passado, somando bens e serviços, os EUA tiveram um superávit de 40 bilhões de dólares.”
Dos dez principais produtos exportados pelos Estados Unidos para o Brasil, oito são isentos de tarifa. A tarifa média brasileira sobre importações americanas é de 3,1%.
Alckmin apontou ainda o protecionismo do governo Trump em setores como o do açúcar, destacando que o Brasil sofre uma sobretaxa de 80% sobre o açúcar que ultrapassa a cota de 150 mil toneladas.
“Existe um desequilíbrio claro que prejudica o nosso país”, lamentou.
Desmatamento
Sobre as acusações de desmatamento ilegal feitas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, Alckmin ressaltou os avanços brasileiros na agenda ambiental, destacando a maior redução de desmatamento recente entre os biomas do país.
“Nos últimos sete anos, tivemos a maior queda no desmatamento na Amazônia, superior a 50%. O Brasil está comprometido a zerar o desmatamento ilegal até 2030. Recentemente, sediamos a COP 30 no país.”
Diálogo em foco
Alckmin enfatizou que o governo brasileiro está intensificando o diálogo técnico, através do grupo bilateral, para reverter ou minimizar a taxação prevista até 15 de julho.
Ele lembrou que esse diálogo já ocorre, frisando que o presidente Lula teve diversos encontros com Donald Trump, incluindo uma reunião de três horas na Casa Branca em 7 de maio.
Além disso, os ministros do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Fernando Elias Rosa, e das Relações Exteriores, Mauro Vieira, planejam reuniões bilaterais com o representante de comércio dos EUA, embaixador Jamieson Greer, durante encontro da OCDE em Paris.


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