Brasil
Anvisa libera novo remédio não hormonal para menopausa
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou recentemente um novo tratamento não hormonal para aliviar os sintomas de ondas de calor e suores noturnos comuns durante a menopausa.
Comercializado com o nome Veoza e desenvolvido pela Astellas Farma, este medicamento oferece uma alternativa para mulheres que não podem usar a terapia hormonal, que é tradicionalmente o método mais eficaz para esses sintomas. O tratamento é administrado diariamente em forma de comprimido.
Nilson Roberto de Melo, ginecologista e presidente da Associação Brasileira de Climatério (SOBRAC), destaca que a aprovação do fezolinetanto representa um avanço significativo, atendendo a uma necessidade importante e frequentemente negligenciada na saúde feminina.
As opções não hormonais anteriores para controlar os sintomas vasomotores eram bastante limitadas, e este novo fármaco traz uma nova esperança para muitas mulheres.
Os sintomas de ondas de calor e suores noturnos atingem até 80% das mulheres entre 40 e 65 anos. O medicamento age restaurando o equilíbrio no centro cerebral que controla a temperatura corporal, ajudando a diminuir a frequência e a intensidade desses sintomas.
Antes da menopausa, o equilíbrio entre os hormônios estrogênio e uma substância cerebral chamada neurocinina B (NKB) regula a temperatura. Quando os níveis de estrogênio diminuem na menopausa, esse equilíbrio é rompido, causando os sintomas.
No Brasil, 36,2% das mulheres nessa faixa etária apresentam sintomas moderados a intensos, porcentagem maior do que a média global de 15,6%. Dessas, cerca de 70% relatam sintomas intensos, impactando seriamente sua qualidade de vida, sono e produtividade.
Além de afetar o bem-estar, a falta de tratamento pode aumentar riscos cardiovasculares e o desenvolvimento de doenças neurodegenerativas, como a demência.
Thaís Ushikusa, médica ginecologista e diretora médica da Astellas Farma Brasil, enfatiza que o fezolinetanto muda a forma como se entende e trata os sintomas da menopausa, proporcionando uma nova alternativa terapêutica, não hormonal, para mulheres que necessitam de outras opções.
Esta aprovação se baseia em resultados de três estudos clínicos de fase 3, realizados na Europa, EUA e Canadá, que envolveram mais de 3 mil participantes. Os estudos comprovaram a eficácia e segurança do medicamento tanto em curto quanto em longo prazo, com melhora significativa na frequência e intensidade dos sintomas, além de benefícios para o sono e a qualidade de vida, com efeitos perceptíveis já no primeiro dia de uso.

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