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Argentina devolverá quadro roubado por nazistas à herdeira do galerista judeu

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A Justiça da Argentina determinou na última sexta-feira (4) que um quadro, roubado por nazistas e recuperado em uma casa na cidade de Mar del Plata, ao sul de Buenos Aires, seja devolvido à única herdeira do galerista judeu holandês a quem pertenceu.

O Retrato de uma dama, que estava com Patricia Kadgien — filha de Friedrich Kadgien, falecido em 1978 e conhecido como o ‘mago das finanças’ das SS, a força paramilitar nazista na Segunda Guerra Mundial — será restituído, conforme decisão do juiz federal Santiago Inchausti.

O quadro foi identificado em uma foto de um anúncio imobiliário após décadas de busca, um ano antes do acordo que resultou na restituição. Patricia Kadgien e seu marido, Juan Carlos Cortegoso, haviam sido acusados de acobertamento e cumpriam prisão domiciliar depois que o jornal holandês AD revelou a existência da obra em uma imagem onde o quadro aparecia sobre um sofá verde.

A obra pertence ao galerista Jacques Goudstikker, cuja coleção foi saqueada pelos nazistas durante a ocupação dos Países Baixos na Segunda Guerra Mundial. Inicialmente atribuída ao retratista Giuseppe Ghislandi, o governo argentino esclareceu que o autor é na verdade o artista italiano Giacomo Ceruti (1698-1767), conhecido como “Il Pitocchetto”.

Acordo judicial

O casal acusados aceitou devolver o quadro à nora de Goudstikker, Marei von Saher, e renunciar a qualquer reivindicação judicial sobre a obra. O promotor federal Carlos Martínez explicou que eles abriram mão dos direitos referentes ao quadro, que será devolvido à família original.

A obra está bem conservada e sua autenticidade foi comprovada pelas perícias. Outras peças encontradas no local foram consideradas réplicas ou não relacionadas ao período da guerra e foram retornadas à família dos denunciados.

Além disso, um pagamento de 4,8 milhões de pesos argentinos (aproximadamente 16.305 reais) será destinado a doações para hospitais locais, conforme estabelecido no acordo.

Próximos passos

O quadro permanece sob a guarda da Suprema Corte argentina, onde os representantes da família von Saher iniciarão os procedimentos para que a obra retorne definitivamente ao seu acervo.

Inicialmente, a defesa dos Kadgien alegou prescrição do crime, mas os crimes de genocídio, segundo a legislação argentina e o direito internacional, não prescrevem.

Após a guerra, muitos nazistas fugiram para a América do Sul, com vários se escondendo no Chile e na Argentina.

Exposição futura

A família pretende que o quadro fique em exibição em Buenos Aires por pelo menos um ano para fins de conscientização. Guillermo Brady, advogado de Marei von Saher, mencionou que estão em conversas com o Museu do Holocausto, o Museu de Belas Artes e o Ministério das Relações Exteriores para definir o local e o momento da exposição pública.

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