Brasil
Brasil teme uso da força militar dos EUA contra facções no país
O Ministério das Relações Exteriores do Brasil manifestou preocupação com o possível emprego da força militar por parte dos Estados Unidos em solo brasileiro, após a classificação das facções criminosas PCC e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pelo governo americano.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva expressou discordância quanto a essa designação, que, segundo os EUA, permite que suas forças de segurança ampliem operações contra os líderes dessas organizações em qualquer lugar do mundo.
“Essa classificação unilateral poderia ser utilizada como justificativa para ações extraterritoriais contra instituições brasileiras”, alertou o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, em correspondência enviada ao Congresso, obtida pela AFP.
O ministro ainda acrescentou que existe o perigo do emprego da força militar dos EUA em território nacional.
Desde a posse de Donald Trump na presidência americana, em janeiro de 2025, os EUA passaram a rotular como terroristas organizações criminosas como os cartéis mexicanos de Sinaloa e Jalisco Nueva Generación, além da organização venezuelana Tren de Aragua.
Os Estados Unidos realizaram ataques contra o Tren de Aragua na Venezuela e contra embarcações suspeitas de narcotráfico no Caribe e no Pacífico.
Em maio, o governo americano alegou que o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) possuem redes ilícitas extensas para além das fronteiras brasileiras e os classificou como organizações terroristas.
Enquanto países como México e Brasil demonstraram oposição a essa medida, outras nações da América Latina, como Equador e Honduras, mostraram intenção de seguir essa linha adotada pelos EUA.
No Brasil, a oposição política, tendo à frente o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), elogiou a decisão americana e criticou o governo por suposta frouxidão no enfrentamento ao crime.
Por outro lado, o governo brasileiro argumenta que a classificação é inapropriada do ponto de vista jurídico e não traz vantagens para a cooperação internacional no combate ao crime organizado, conforme exposto pelo ministro Mauro Vieira.
Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), atualmente preso, disputará as eleições presidenciais de outubro contra Lula.
Pesquisas indicam que a segurança pública permanece entre as maiores preocupações dos eleitores brasileiros.

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