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Conflitos globais e falta de recursos ameaçam missões de paz

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Os problemas geopolíticos combinados com a escassez de financiamento estão colocando em risco as missões internacionais de paz, especialmente aquelas sob a coordenação da ONU, conforme divulgado na segunda-feira (25) pelo Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (Sipri).

Ao final de 2025, havia pouco menos de 79 mil soldados internacionais envolvidos em operações de paz, o menor número registrado nos últimos 25 anos, informou o instituto em seu relatório anual.

“Se essa tendência continuar, veremos um enfraquecimento significativo da gestão multilateral dos conflitos e a quase total exclusão de organizações como as Nações Unidas, devido a uma combinação crítica de fatores financeiros, políticos e geopolíticos”, declarou Jair van der Lijn, diretor do programa Operações de Paz e Gestão de Conflitos do Sipri.

“O provável resultado será o aumento dos conflitos, que afetarão ainda mais gravemente os civis, à medida que os países deixarem de respeitar normas estabelecidas há muito tempo”.

Em 2025, estavam ativas 58 operações de manutenção da paz, número inferior a 60 pela primeira vez desde 2016.

Quase 75% das tropas foram designadas para cinco nações: República Centro-Africana, Sudão do Sul, Somália, República Democrática do Congo e Líbano.

As operações conduzidas pela ONU estão perdendo força devido a uma crise financeira gerada pelo não cumprimento, total ou parcial, dos compromissos dos principais financiadores.

Faltaram 2 bilhões de dólares dos 5,6 bilhões prometidos para o orçamento de 2024-2025, de acordo com o Sipri.

“No Conselho de Segurança da ONU, regras rígidas e ameaças de veto por parte dos membros permanentes dificultam as decisões sobre a renovação dos mandatos das missões”, ressaltou o instituto.

Por exemplo, o governo dos Estados Unidos facilitou o término da Força Interina das Nações Unidas no Líbano, apesar de evidências de cessar-fogo entre Israel e Líbano, conforme documento do relatório.

O Conselho de Segurança aprovou a última renovação da missão até dezembro de 2026.

O Sipri destacou que o apoio ao conceito de gestão colaborativa de conflitos permanece forte.

“No entanto, para manter a gestão multilateral eficaz dos conflitos, os países precisam ir além do apoio verbal. É necessário garantir financiamento confiável e oferecer espaço político adequado para permitir respostas multilaterais eficientes”, enfatizou a pesquisadora do instituto, Claudia Pfeifer Cruz.

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