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Entenda a conexão entre PT da Bahia e banqueiro do escândalo Master

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Os recentes desdobramentos da nona fase da Operação Compliance Zero intensificam o impacto do escândalo envolvendo o Banco Master na política da Bahia. A antiga ligação do PT baiano com o banqueiro Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, é um tema delicado para a campanha eleitoral do partido. Nesta quinta-feira, a Polícia Federal realizou ações contra Lima e o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula no Senado e candidato à reeleição.

Jaques Wagner e o ex-governador Rui Costa concorrem ao Senado na chapa do governador Jerônimo Rodrigues (PT) e lideram as pesquisas. Na disputa pelo governo estadual, o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União) também enfrenta impactos em sua campanha decorrentes do caso Master.

O nome de Jaques Wagner veio à tona após a reportagem do portal Metrópoles revelar que a nora do senador recebeu cerca de R$ 11 milhões do banco. Esse valor foi destinado para a BK Financeira, empresa de sua propriedade. Na ocasião, o senador afirmou não ter conhecimento de qualquer investigação, declarando nunca ter participado de negociações em favor daquela empresa. Nesta quinta-feira, ele foi alvo de mandado de busca e apreensão no curso das investigações sobre fraudes financeiras envolvendo o Banco Master.

A relação entre o PT baiano e Augusto Lima data do governo de Rui Costa, quando o petista autorizou a privatização da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), controladora da rede de supermercados Cesta do Povo. O banqueiro foi o comprador da empresa, adquirindo também um cartão de crédito consignado destinado a servidores públicos e aposentados, posteriormente chamado de Credcesta. Essa operação foi expandida nacionalmente em parceria com o Banco Master, embora Lima tenha deixado a instituição em 2023.

No terceiro leilão da Ebal, após tentativas anteriores fracassadas de venda à iniciativa privada, o cartão foi incluído na operação pelo governo Rui Costa. O ex-governador defendeu essa decisão em fevereiro, alegando que ela foi essencial para concretizar a venda.

Impacto na campanha de ACM Neto

Documentos entregues pelo Banco Master à Receita Federal apontam pagamentos de R$ 5,4 milhões feitos à empresa de consultoria do ex-prefeito ACM Neto entre 2023 e 2025. O ex-prefeito declarou que a relação comercial com o banco foi estabelecida quando nenhum dos sócios da consultoria ocupava cargo público, e que suas funções incluíam análise da conjuntura político-econômica nacional e reuniões com representantes da instituição.

Operação Compliance Zero

Iniciada em novembro de 2025, a Operação Compliance Zero investiga inicialmente a criação ilegal de créditos fictícios e a emissão de títulos fraudulentos pelo Banco Master, dentro de um esquema bilionário de fraudes. Conforme as investigações avançaram, outras pessoas foram implicadas, como o senador Ciro Nogueira (PP-PI), devido à sua relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, atualmente detido.

A Polícia Federal ampliou a investigação para apurar uma possível rede de corrupção e pagamento de propinas a agentes públicos, além de determinar a existência de uma estrutura paralela para ameaças e espionagem, denominada “A Turma”.

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