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Ex-combatente ensina traficantes do CV a usar drones para transporte

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A Subsecretaria de Inteligência da Secretaria de Segurança Pública do estado descobriu que traficantes do Comando Vermelho (CV) estão sendo treinados para pilotar drones de grande porte, utilizados para movimentar armas e drogas entre os domínios da facção no Rio de Janeiro. O treinamento é conduzido por um brasileiro que recentemente voltou da guerra na Ucrânia, onde atuou como voluntário combatendo as forças russas.

Segundo a polícia, esse homem passou pelo menos um ano na zona de conflito e, ao retornar ao Rio, começou a ensinar aos criminosos técnicas militares, incluindo o uso de drones para logística e vigilância. Os modelos de drones em uso são originalmente agrícolas, próprios para pulverização e transporte de cargas, com custo estimado acima de R$ 200 mil por unidade.

A Polícia Militar identificou um treinamento no Complexo do Alemão, na Zona Norte, filmado por uma aeronave policial, onde um drone de cerca de três metros de comprimento foi visto cercado por um grupo de pessoas antes da decolagem.

Os drones utilizados são capazes de carregar até 80 quilos, o que equivale a aproximadamente 20 fuzis FAL ou AR-15, e podem voar até 12 quilômetros. O valor de cada aparelho ultrapassa R$ 200 mil.

O ex-combatente presenteou Edgar Alves de Andrade, conhecido como Doca, membro da alta direção do Comando Vermelho, com uma placa balística que ele usou durante o conflito no Leste europeu.

O treinamento acontece em áreas dos complexos do Alemão e da Penha, que abrigam líderes da facção ainda foragidos. Além de Doca, estão entre eles Carlos da Costa Neves, o Gardenal, responsável pela segurança da facção e expansão para Jacarepaguá; Pedro Paulo Guedes, o Pedro Bala, gerente-geral do tráfico; e Luciano Martiniano da Silva, apelidado de Pezão.

Documento do Conselho Nacional de Justiça aponta que estes traficantes possuem 82 mandados de prisão ativos.

O uso de drones por grupos criminosos já vinha sendo observado pelas autoridades. Em setembro de 2024, o ex-cabo da Marinha Rian Maurício Tavares foi detido pela Polícia Federal por supostamente operar esses equipamentos para o Comando Vermelho.

Investigações indicam que um drone chegou a ser utilizado para lançar granadas em Jacarepaguá, durante um período em que a região era controlada por milícias.

A Marinha informou que o ex-cabo Rian Maurício Tavares foi desligado da corporação em fevereiro de 2025 por questões disciplinares e atualmente encontra-se preso na Penitenciária Federal de Catanduvas, Paraná.

Em maio, a Polícia Civil criou a Coordenadoria de Operações com Aeronaves Não Tripuladas (Coant), destinada a usar drones em atividades de investigação, inteligência e operações policiais no estado. Os drones equipados contam com sensores térmicos, câmeras para reconhecimento facial e leitura de placas, além de capacidade para vigilância noturna e monitoramento em tempo real.

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