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Flávio Bolsonaro faz 6ª viagem aos EUA e deixa 10 estados fora do plano de pré-campanha
A viagem que Flávio Bolsonaro (PL-RJ) realizará na próxima semana aos Estados Unidos marcará sua sexta ida ao país neste ano, fortalecendo uma das principais estratégias de sua pré-campanha: a aproximação com o governo de Donald Trump e o movimento conservador internacional.
Nos bastidores, cresce entre aliados a percepção de que a campanha deve direcionar esforços também para o Brasil, acelerando a construção de palanques estaduais e aumentando a presença especialmente nas áreas onde o bolsonarismo historicamente encontra maior resistência eleitoral.
Desde o início da pré-candidatura, Flávio já visitou 17 unidades federativas e fez cinco viagens aos EUA: em janeiro para tentar agenda com o secretário de Estado Marco Rubio; em fevereiro para passar o carnaval; em março para participar da Conservative Political Action Conference (CPAC), no Texas; e duas vezes em maio, uma para reuniões com empresários e outra para encontro com o presidente Donald Trump na Casa Branca.
Agora, ele retornará a Washington para participar no dia 6 de uma audiência pública promovida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) sobre a proposta de sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros.
No Brasil, o senador já cumpriu agenda em Rondônia, Pará, Maranhão, Bahia, Paraíba, Rio Grande do Norte, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Distrito Federal, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Portanto, Flávio ainda não visitou dez estados localizados nas regiões Norte e Nordeste: Acre, Alagoas, Amapá, Amazonas, Ceará, Pernambuco, Piauí, Roraima, Sergipe e Tocantins.
As situações variam por estado. Em Pernambuco, ainda não há definição sobre candidatura própria ao Senado pelo PL, fator estratégico para o fortalecimento do palanque presidencial. No Ceará, a visita ocorrerá em meio a desdobramentos da crise entre Flávio e Michelle Bolsonaro. No Amazonas, Piauí e Sergipe, o partido já definiu candidatos aos governos, mas o presidenciável ainda não esteve com esses aliados. Nos demais estados, as articulações dos palanques continuam em andamento.
Parte desse vazio começará a ser preenchido logo após o retorno de Flávio de Washington, com agendas previstas em Pernambuco e Ceará. A passagem pelo Ceará tem peso político relevante devido à crise com Michelle Bolsonaro decorrente de divergências sobre a candidatura da vereadora Priscila Costa ao Senado. Essa divergência resultou no rompimento entre madrasta e enteado.
Aliados avaliam que a passagem pelo Ceará também será um teste para a capacidade de reconstrução de pontes com lideranças locais. Recentemente, Priscila participou de reunião organizada por Flávio para apresentar o programa Brasil por Elas, elogiou publicamente o presidenciável e deu sinais de distensão, embora permaneça aliada de Michelle Bolsonaro.
Interlocutores afirmam que a estratégia internacional foi fundamental para aproximar Flávio de Donald Trump, do Partido Republicano e de empresários americanos. Porém, agora a prioridade é ampliar a presença nos estados onde a candidatura ainda precisa consolidar alianças políticas e montar palanques competitivos.
Essa necessidade torna-se ainda mais clara porque as lacunas estão concentradas no Norte e Nordeste — regiões onde o ex-presidente Lula tem vantagem histórica e onde o bolsonarismo enfrenta maior resistência. Enquanto Flávio já percorreu os estados do Sul, Sudeste e Centro-Oeste, além de parte do Norte e Nordeste, os compromissos pendentes concentram-se nessas duas últimas regiões.
Além da audiência sobre as tarifas, a viagem a Washington terá um objetivo político adicional: Flávio deverá se reunir com o irmão Eduardo Bolsonaro, que está nos EUA. Aliados acreditam que o encontro servirá para alinhar a comunicação da pré-campanha após a crise com Michelle Bolsonaro, pois declarações de influenciadores ligados a Eduardo e publicações feitas por pessoas do seu entorno agravaram o desgaste nesta fase, justamente quando a campanha tenta reconquistar o eleitorado feminino.

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