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França questiona justiça após possível morte de menina

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O governo da França busca nesta sexta-feira (5) respostas para as críticas sobre falhas no sistema judicial que poderiam ter permitido o desaparecimento de uma menina de 11 anos, sob a custódia de um homem com denúncias anteriores por agressões sexuais.

O caso de Lyhanna sensibilizou a França. A garota sumiu em 29 de maio, em Fleurance, uma pequena cidade rural no sudoeste do país, tendo sido vista pela última vez ao entrar no carro do suspeito, pai de uma amiga.

Após vários dias de procura, na quinta-feira, investigadores localizaram um corpo com roupas semelhantes às da menina desaparecida em um silo agrícola abandonado. Agora, as autoridades buscam confirmar a identidade oficial do corpo e determinar a causa da morte.

O principal suspeito, Jérôme B., havia trabalhado na propriedade onde o corpo foi achado, de acordo com um representante agrícola da região. Ele foi preso dias antes da descoberta, acusado de sequestro.

Na cidade de aproximadamente 6.000 habitantes, onde todos se conhecem, a descoberta do cadáver causou revolta e tristeza. Natacha Berthonneau, de 57 anos, afirmou à AFP: “Nos últimos dias, não tenho conseguido dormir”.

Stéphane, de 65 anos, desabafou: “Se a Justiça tivesse atuado melhor, talvez essa tragédia pudesse ter sido evitada”. Ele teme que o corpo encontrado seja de Lyhanna.

Falhas no sistema

Desde o início da semana, informações sobre o suspeito de 41 anos, com várias denúncias acumuladas, geraram indignação e questionamentos sobre o funcionamento da Justiça.

O presidente francês, Emmanuel Macron, declarou: “Está claro que houve falhas e que não podemos ignorar as deficiências evidenciadas. Agora é fundamental esclarecê-las”. Ele também expressou sua solidariedade à família de Lyhanna.

Segundo a promotora local, Clémence Meyer, em dezembro de 2017, uma mãe denunciou o suspeito após descobrir que sua filha de 17 anos mantinha um relacionamento com o homem, mas o caso foi arquivado em 2018, pois a menor afirmou que a relação era consensual.

Em janeiro de 2022, uma nova denúncia foi feita no norte da França por “estupro de menor de 15 anos”, envolvendo fatos de 2020 na residência do suspeito. O caso foi arquivado em maio de 2024 por falta de provas suficientes, explicou a promotora.

Outra denúncia surgiu em agosto de 2025, feita pela mãe de uma menina nascida em 2014, relatando estupros ocorridos entre setembro de 2024 e maio de 2025 na residência do acusado. Desde então, ele nunca foi ouvido pelas autoridades.

Críticas e ações

O primeiro-ministro conservador, Sébastien Lecornu, reuniu-se nesta sexta-feira com os ministros da Justiça e do Interior para debater possíveis erros judiciais neste caso. Ele solicitou que, em 15 dias, sejam apresentadas as conclusões de uma investigação administrativa aberta.

A gendarmaria pediu a seus agentes que façam uma lista de todos os processos relacionados a casos envolvendo menores e realizem um levantamento dessas situações. O ministro da Justiça convocou todos os procuradores-gerais para uma reunião na segunda-feira.

Enquanto aguardam o resultado da autópsia, alguns candidatos à eleição presidencial de 2027 criticaram a falta de atenção dada aos depoimentos de menores.

O líder de extrema direita, Jordan Bardella, que lidera as pesquisas para o primeiro turno, afirmou na rede social X que “esse drama terrível poderia e deveria ter sido evitado”.

Apenas 7% das denúncias de abuso sexual contra crianças e 3% das acusações de estupro de menores resultam em condenação, segundo a comissão independente Civiise, que estima que quase 160.000 menores são vítimas de violência sexual todo ano.

Denis Roth-Fichet, secretário-geral da Civiise, declarou à AFP que “73% das denúncias de abuso sexual contra menores são arquivadas sem qualquer ação”. Para ele, essa violência “é a grande negligenciada pelo sistema judicial francês”.

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