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Economia

Ibovespa sobe com atenção aos juros nos EUA e dados do Caged

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Na reta final do pregão, o Ibovespa conseguiu reverter a queda que apresentou durante o dia e encerrou em alta de 0,30%, alcançando 175.664,62 pontos. Isso ocorreu devido a uma leve busca por ações que estavam descontadas após sucessivas quedas. Nos últimos dias, o índice acumulou um ganho de 2,71%, com as dez maiores ações da bolsa registrando valorizações ao longo da semana.

Apesar da melhora no humor do mercado na tarde de hoje, o cenário brasileiro foi impactado pelas declarações contundentes do presidente do Federal Reserve (Fed), Kevin Warsh, no Simpósio de Jackson Hole. As falas demonstraram apreensão em relação à inflação persistente, reforçando a expectativa de alta dos juros nos Estados Unidos.

Esse posicionamento já refletiu nas projeções para a reunião de setembro, onde a maioria dos investidores (57,5%) passou a prever um aumento na taxa de juros, conforme a ferramenta CME FedWatch.

Juros mais altos nos EUA tendem a reduzir a liquidez global, especialmente afetando mercados considerados de maior risco, como mostra a queda de 0,70% do EEM (iShares MSCI Emerging Markets ETF), principal ETF ligado a ações emergentes.

Bruna Centeno, economista, sócia e consultora da Blue3 Investimentos, comenta: “Hoje [sexta-feira, 28] o presidente do Fed contribuiu para pressionar os mercados ao dizer que a inflação não está recuando como esperado. Isso impacta principalmente o Brasil, pois as taxas de juros nos EUA são um dos fatores que dão suporte à nossa bolsa, além das condições internas e político-econômicas.”

Daniel Siluk, responsável global por estratégias de curto prazo e liquidez da Janus Henderson, declarou: “Warsh reafirmou que o objetivo firme do Fed é manter a inflação do PCE em 2%, que as taxas de juros continuam sendo a principal ferramenta de política monetária e que a recente sequência de dados de inflação mais moderada ainda não indica uma melhora significativa nas tendências subjacentes.”

“Embora não tenha feito previsões específicas, ele deixou claro que, considerando a estabilidade do mercado de trabalho, o crescimento econômico resistente e condições financeiras que não são excessivamente restritivas, o foco permanece nos dados de inflação.”

Além disso, os investidores também analisaram os dados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) que indicaram uma diminuição na criação de empregos formais no Brasil. Esse desaquecimento econômico reforça a possibilidade de novas reduções nas taxas de juros no país pelo Banco Central, abrindo espaço para maior disposição ao risco no mercado de ações.

Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, ressalta que “a decepção com as projeções do Caged pode sinalizar um enfraquecimento do mercado de trabalho formal. Ainda é precoce considerar essa desaceleração uma tendência definitiva”. Ele destaca também que cresce a expectativa por uma redução de 0,25 ponto percentual na Selic já na próxima reunião do Banco Central, com possibilidade de outra queda adicional em encontros subsequentes.

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