Economia
Ibovespa sofre com queda da Petrobras e saída de investidores estrangeiros
O Ibovespa apresentou alta superior a 1,8% na manhã desta segunda-feira, impulsionado pela animação global após o acordo preliminar entre Estados Unidos e Irã. No entanto, na segunda parte do dia, o interesse dos investidores estrangeiros por ações de tecnologia – evidenciado pelo crescimento acima de 3% do Nasdaq – retirou parte do volume da Bolsa brasileira, que já vinha limitada pela forte queda das ações relacionadas ao petróleo e pela preocupação com a agenda fiscal em meio às eleições.
O índice atingiu a máxima de 174.228,27 pontos (+1,81%) pela manhã e a mínima de 170.351,05 pontos (-0,46%) à tarde, encerrando o pregão em queda de 0,42%, aos 170.415,13 pontos. Entre as principais empresas, as ações da Petrobras caíram 5,30% (ON) e 5,15% (PN) na mínima, enquanto os grandes bancos recuaram menos de 1% e a Vale teve valorização de 2,5%. O volume financeiro movimentado foi de R$ 29,21 bilhões.
Os Estados Unidos eletronicamente confirmaram o acordo preliminar com o Irã para suspender conflitos no Oriente Médio por 60 dias, segundo comunicado de um alto funcionário americano à agência Reuters. Espera-se que o Estreito de Ormuz reabra nesta sexta-feira, 19, o que contribuiu para a queda de 4,76% no preço do barril de Brent, cotado a US$ 83,17.
Segundo Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, a assinatura do acordo é benéfica para a economia brasileira, impactando positivamente a inflação e a política monetária. Entretanto, a empolgação inicial do Ibovespa diminuiu durante o dia, pois investidores estrangeiros redirecionaram seu foco para ações de tecnologia e inteligência artificial em mercados desenvolvidos, em detrimento das bolsas emergentes. “Observamos uma forte queda da Petrobras associada à baixa do petróleo, além de recuos em outros setores”, comenta.
Alexandre Pletes, head de renda variável da Faz Capital, ressalta que a saída de capital estrangeiro está concentrada principalmente na preferência pelo mercado americano e setor tecnológico. “O IPO da SpaceX na última semana atraiu muitos investimentos, influenciando as bolsas globais. Hoje, apesar da redução dos juros, a Petrobras teve uma forte correção e os bancos permaneceram estáveis.”
O especialista Pedro Henrique Carneiro Gonçalves, da Valor Investimentos, observa que o Brasil, sendo um exportador significativo de petróleo, sofre com a desvalorização da commodity, afetando empresas de grande peso no índice. Ele destaca que, apesar do otimismo inicial, o mercado permanece cauteloso com os detalhes do acordo, que será formalizado somente na sexta-feira.
Bruno Perri ainda aponta a pesquisa BTG Pactual/Nexus como aspecto relevante para o mercado financeiro, evidenciando a percepção de que a política fiscal permanecerá arriscada e inflacionária, impactando negativamente a curva de juros futura. No entanto, registro que hoje essa curva apresentou ligeira melhora.
O levantamento indicou também que pela primeira vez em quatro meses a aprovação do governo Lula superou a desaprovação, e que o petista venceria vários candidatos em um eventual segundo turno.
Felipe Camargo, economista sênior global da Oxford Economics, afirmou em entrevista ao Broadcast que o cenário fiscal brasileiro não apoia investimentos estruturais de longo prazo por parte dos investidores estrangeiros. Sua previsão base considera a reeleição de Lula, o que não é visto como positivo, pois a estabilização da dívida pública só ocorreria, na melhor hipótese, após 2030.


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