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Lula não quer encontro formal com Trump no G7
Integrantes do governo brasileiro afirmam que um eventual encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acontecerá de forma informal no G7, na França, sem discussões aprofundadas.
Até esta sexta-feira, 12, não houve solicitação de reunião oficial nem do Palácio do Planalto nem da Casa Branca.
O governo de Lula acredita que não há espaço para tratar de temas controversos da agenda bilateral no G7, como a classificação das organizações criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como terroristas, ou para contestar as tarifas adicionais propostas sobre exportações.
Não se vê motivo político para esta reunião neste momento, e o governo não espera que Trump revise decisões já estabelecidas apenas por meio de um diálogo entre os líderes.
Um assessor do presidente declarou que não há expectativa realista de mudança, e que não faria sentido para Trump retirar a designação das facções criminosas, enquanto Lula dificilmente poderia pedir uma revisão e simultaneamente manter a cooperação técnica entre as forças policiais.
O prazo para negociações administrativas estipulado pelo Representante Comercial dos EUA (USTR) vai até 15 de julho, com contato técnico comercial ainda em andamento. Assim, acredita-se que Trump aguardará a conclusão dessas tratativas antes de qualquer resposta.
Está prevista uma reunião ministerial entre o ministro Márcio Elias Rosa (Mdic) e o embaixador Jamieson Greer (USTR) para discutir tarifas e setores, que deve ocorrer em breve.
Até o momento, não há decisão sobre discutir tarifas específicas, como a do etanol, apesar de encontros recentes com lideranças do setor.
O governo nega ter tomado providências para antecipar a viagem do presidente para o dia 14 visando um encontro com Trump. Lula deve chegar à França na tarde do dia 15, e a chegada do presidente americano está prevista para após a dele, no mesmo dia.
No G7, o encontro entre os dois deve ser casual, como uma breve passagem nos corredores ou nas reuniões dos líderes, sem reunião formal, semelhante ao breve contato na Assembleia Geral da ONU no ano anterior.
Lula terá reuniões bilaterais com o presidente da França, Emmanuel Macron, e com a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi. Outros encontros podem ocorrer com o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, e líderes da União Europeia para tratar de comércio e exportações.
Com os europeus, o presidente discutirá a preocupação em relação à exclusão do Brasil da exportação de carne e produtos de origem animal ao bloco. Com Japão e Canadá, pretende formalizar negociações comerciais relacionadas ao Mercosul.
Lula também participará de um almoço com representantes de grandes empresas de tecnologia, onde abordará propostas de regulação e a edição do Eca Digital.
Discurso oficial
O presidente preparará pelo menos dois discursos públicos durante sessões do G7, focando em desequilíbrios macroeconômicos globais e parcerias para o desenvolvimento.
Em suas falas, Lula defenderá a necessidade de reformas nas instituições internacionais e criticará tarifas e medidas unilaterais, incluindo conflitos militares.
O discurso será cuidadosamente estruturado para responder às ações do governo americano, buscando não mostrar fragilidade política diante da disputa eleitoral e da campanha no exterior do pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Assessores recomendam que o presidente utilize uma linguagem diplomática e evitare frases agressivas usadas no discurso interno, defendendo uma postura contra o unilateralismo e o protecionismo.


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